O preço do leite pago ao produtor subiu 10,4% em abril de 2026, marcando a quarta alta consecutiva no mercado brasileiro. De acordo com o Cepea, da Esalq/USP, o valor médio alcançou R$ 2,6584 por litro, refletindo uma recuperação parcial após um período de preços mais baixos.
Apesar do aumento, o preço ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril de 2025, quando ajustado pela inflação. Essa situação indica que, embora haja uma valorização, o setor ainda enfrenta desafios para retornar aos patamares anteriores.
Menor produção e competição entre laticínios sustentam alta no campo
A alta no preço do leite é impulsionada pela redução da oferta, que é comum nesta época do ano. A queda nos investimentos na produção também contribui para essa escassez, refletindo um cenário de restrição no campo.
O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) mostrou uma queda de 3,4% entre março e abril, acumulando uma redução de 14,6% no ano. Essa diminuição na captação reforça a pressão sobre os preços, já que a competição entre laticínios por matéria-prima se intensifica.
Além disso, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira subiu 1,1% na média nacional, com um aumento acumulado de 3,24% em 2026. Os principais fatores para essa elevação são os custos com alimentação do rebanho e sanidade animal.
Derivados lácteos sobem no atacado, mas ritmo perde força em maio
O mercado de derivados lácteos também apresentou alta em abril, com produtos como leite UHT e muçarela registrando valorização significativa. Contudo, na primeira quinzena de maio, sinais de desaceleração começaram a aparecer, refletindo uma demanda mais fraca.
As importações de lácteos caíram 10% em abril, totalizando 218,38 milhões de litros equivalentes de leite. Apesar dessa queda, o volume ainda é 34,1% superior ao registrado no mesmo mês de 2025, evidenciando a dependência do Brasil em relação ao mercado externo.
As perspectivas para os próximos meses indicam que a valorização do leite ao produtor deve continuar, embora com uma possível perda de ritmo. A pressão do consumo e ajustes nas cotações dos derivados lácteos poderão influenciar o comportamento do mercado, tornando a situação ainda mais dinâmica para os produtores e consumidores.











