O preço do trigo no Brasil se mantém firme, apesar da baixa liquidez que tem travado novos negócios no mercado. A atual situação é resultado da transição entre safras, onde a oferta disponível diminui e os compradores adotam uma postura mais cautelosa, refletindo diretamente na dinâmica do agronegócio.
De acordo com a análise da Safras & Mercado, a escassez da safra antiga, especialmente nos estados do Sul, tem sustentado os preços, mesmo com a demanda da indústria moageira em queda. Essa situação gera um impacto significativo para os produtores, que enfrentam dificuldades em negociar suas colheitas.
Postura defensiva dos moinhos e impasse no Paraná
Os moinhos estão operando com cautela, devido ao ritmo mais lento de moagem e à dificuldade em repassar os aumentos de custos ao consumidor. Essa menor rentabilidade tem levado a indústria a ser menos agressiva nas compras, resultando em um mercado travado.
No Paraná, principal estado produtor de trigo, as negociações estão praticamente paralisadas. As ofertas dos moinhos variam entre R$ 1.370 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto os produtores pedem entre R$ 1.400 e R$ 1.450, criando um impasse que dificulta a formalização de novos contratos.
No Rio Grande do Sul, o cenário é semelhante, com negociações focadas em embarques programados para julho e pagamentos previstos para agosto. Os produtores estão mantendo suas pedidas em torno de R$ 1.350 por tonelada, enquanto os moinhos alegam ter estoques confortáveis, o que limita a necessidade de reposição imediata.
Apesar da redução nas transações, os preços do trigo permanecem relativamente estáveis nas principais regiões consumidoras do Brasil. As cotações em Curitiba, Porto Alegre e São Paulo indicam um suporte contínuo, sustentado pela escassez de oferta interna.
No cenário internacional, a Argentina continua sendo a principal fornecedora de trigo para o Brasil, com preços que ainda não favorecem uma redução significativa nos custos de reposição. As importações acumulam 4,49 milhões de toneladas na temporada, embora ainda estejam abaixo do volume do ano anterior.
A expectativa para as próximas semanas é de que a baixa liquidez persista, com os produtores mantendo suas posições firmes e os moinhos atuando de forma seletiva. O comportamento da moagem e a evolução da nova safra serão determinantes para a direção dos preços do trigo no segundo semestre.











