O príncipe Harry afirmou que passou anos se sentindo culpado por viver momentos de felicidade depois da morte de sua mãe, a princesa Diana. Aos 42 anos, o duque de Sussex falou sobre o processo de luto em uma nova MasterClass e revisitou sentimentos que carrega desde os 12 anos, quando perdeu a mãe.
Diana morreu em agosto de 1997, em um acidente de carro em Paris. Segundo Harry, a perda desencadeou um período de “entorpecimento e bloqueio emocional”, que o ajudava a manter o foco nas tarefas diárias e a entrar em uma espécie de “estado de adrenalina”. Ele chegou a considerar essa capacidade um “superpoder”, que também teria contribuído para seu desempenho durante o período em que serviu ao Exército.
Com o tempo, porém, Harry percebeu que a reação funcionava como uma maneira de escapar do sofrimento e impedia que enfrentasse plenamente a ausência da mãe. Ao compreender a origem desse mecanismo emocional, ele passou a temer que a recuperação o afastasse de Diana.
“Quando percebi de onde vinha o superpoder e a conexão com ele, meu medo era: se eu me curar, se eu procurar a solução, será que eu o perderei? Será que perderei o superpoder? Isso significa que perderei a conexão com a minha mãe?”, explicou durante a MasterClass.
O príncipe também contou que associava a tristeza à demonstração de amor e saudade. Por isso, permitir-se ser feliz provocava culpa, como se representasse uma deslealdade à memória da mãe. “Passei muito tempo emocionalmente anestesiado, em grande parte porque me sentia desleal e culpado pela possibilidade de ser feliz e alegre sem ela”, disse. “Sentia que precisava estar triste e emocionalmente anestesiado para provar a ela que sentia sua falta.”
A mudança ocorreu quando Harry passou a considerar que Diana gostaria de vê-lo feliz. De acordo com ele, essa compreensão transformou sua visão sobre a vida e a recuperação emocional. “Isso me libertou e me deu uma perspectiva de vida completamente diferente”, afirmou.
Harry disse ainda que aprender a reconhecer as reações do próprio corpo se tornou parte importante desse processo. Ele afirmou que hoje consegue identificar quando está diante de uma descarga de adrenalina e diferenciar situações que não exigem esse estado de alerta.
Entre as estratégias usadas pelo duque para lidar com a pressão estão os exercícios de respiração. Ele relatou que ainda enfrenta respiração superficial e sensação de aperto no peito, mas que encontrar tempo para respirar e se reconectar faz diferença. Harry associou essa facilidade para entrar em estado de alerta aos anos vividos em “hipervigilância e reatividade”.
Durante a aula, o príncipe também relembrou o funeral da mãe. Ele contou que conseguiu chorar quando estava cercado apenas por familiares e longe das câmeras, das expectativas e dos julgamentos do público. “Finalmente, chegou o dia do enterro e, cercado apenas pela família, longe dos olhares de choro, das câmeras e, suponho, das expectativas, julgamentos e olhares indiscretos do mundo, eu desabei a ponto de chorar”, disse.
Harry revelou que demorou a aceitar a morte de Diana. Por anos, manteve a esperança de que ela voltaria para levá-lo e ao irmão, o príncipe William, para longe das dificuldades que enfrentava. Segundo ele, essa crença protetora durou aproximadamente uma década.
O bloqueio emocional também afetou as lembranças que guardava da mãe. Harry afirmou que se esqueceu da voz e da risada de Diana e que não conseguia visualizar sua aparência sem olhar para uma fotografia. “O mecanismo de defesa da mente e do corpo era bloquear as emoções e bloquear as memórias. Não apenas as memórias ruins, mas também as boas”, declarou.
Atualmente, Harry afirma encontrar felicidade na convivência com a família e nas atividades filantrópicas. Casado com Meghan Markle, ele tem dois filhos: Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5. Para equilibrar o trabalho e a vida familiar, disse que procura não passar mais de dez dias longe da esposa e das crianças.
“O fator mais importante para mim é a energia, a alegria e a felicidade que sinto ao estar com minha família, especialmente com meus filhos, e a alegria e a felicidade que sinto ao estar em campo a trabalho”, explicou.
Segundo informações apuradas pela revista PEOPLE, a MasterClass procurou Harry no ano passado para desenvolver um curso dedicado ao luto. As gravações foram feitas na Califórnia, no início do verão do hemisfério norte, e o lançamento está previsto para pouco antes do Dia Mundial da Saúde Mental, celebrado em 10 de outubro.
A renda do projeto será destinada a duas organizações de apoio a pessoas enlutadas: a Comfort Zone Camp e a Scotty’s Little Soldiers, instituição que conta com o apoio de longa data do príncipe.











