Policiais, prefeitos e representantes das forças de segurança de Minas Gerais estão denunciando a precariedade que compromete o combate à criminalidade no estado. Com um salário inicial de R$ 5.097 e ganhos líquidos em torno de R$ 4 mil, os policiais militares se sentem desvalorizados, com uma remuneração quase 40% inferior à paga no Paraná, no Sul do Brasil. Além disso, eles enfrentam a falta de estrutura para desempenhar suas funções, chegando ao ponto de necessitarem de doações de pneus para viaturas por parte dos municípios.
Um dos principais desafios apontados pelos policiais é a escassez de efetivo. Em uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o deputado estadual Sargento Rodrigues (PL) informou que a Polícia Militar (PM) já teve um efetivo de 45 mil homens e hoje conta com 37 mil. Já na Polícia Civil, o número de policiais teria caído de 17 mil para 10,5 mil.
A falta de atratividade para ingresso na corporação é apontada como uma das causas dessa diminuição no efetivo. Segundo o subtenente Heder Martins de Oliveira, presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros de Minas Gerais (Aspra), o salário considerado baixo afasta potenciais candidatos. Um levantamento da Federação Nacional de Praças (Anaspra) posiciona Minas Gerais como o 17º estado do país em termos de remuneração para soldados.
O sargento Marco Antônio Bahia Silva, vice-presidente da Aspra, concorda com as críticas em relação aos salários e à desmotivação dos policiais. Ele ressalta que a falta de perspectiva de aumento salarial pode levar à escassez de policiais a longo prazo.
A situação é corroborada por policiais que atuam na linha de frente. Muitos estão buscando outras fontes de renda para complementar seus salários, como motoristas de aplicativo, eletricistas e seguranças.
Além dos baixos salários, os policiais enfrentam uma alta pressão para reduzir as estatísticas criminais, o que contribui para desmotivá-los ainda mais. Uma manifestação de servidores da segurança pública de Minas Gerais ocorreu em frente à residência do governador Romeu Zema (Novo), pedindo a recomposição das perdas inflacionárias. Uma nova manifestação está marcada para a próxima semana na Cidade Administrativa.
A falta de recursos logísticos adequados aliada à crescente atuação de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), torna o cenário desafiador para as forças de segurança mineiras. Embora preparadas para lidar com essa realidade, é necessário um trabalho conjunto e uma maior integração entre as diversas instituições de segurança para obter resultados eficazes.