A queda na produtividade dos animais tem gerado preocupações no setor de confinamento bovino brasileiro, conforme apontado pelo Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP). Em abril de 2026, as margens de lucro, embora ainda positivas, apresentaram um ritmo inferior ao dos meses anteriores, impactando diretamente a rentabilidade dos produtores.
O principal fator que pressionou a lucratividade não foi o custo da alimentação, mas sim a redução das arrobas produzidas pelos animais abatidos. O ICAP, que monitora cerca de 62% dos confinamentos do país, revelou uma perda significativa de lucratividade nas principais regiões produtoras, especialmente no Centro-Oeste e Sudeste.
Custo da arroba e impacto regional
No Centro-Oeste, o custo da arroba produzida aumentou 18,76% em abril, enquanto no Sudeste o aumento foi mais moderado, de 6,43%. O ICAP fechou em R$ 13,36 por cabeça ao dia no Centro-Oeste e R$ 12,03 no Sudeste, refletindo uma diferença significativa que pode afetar a competitividade dos produtores.
A produtividade dos animais no Centro-Oeste caiu de 8,40 para 7,80 arrobas em um único mês, resultando em uma redução de aproximadamente R$ 230 na lucratividade por cabeça. No Sudeste, a diminuição da produtividade foi compensada em parte pela queda no custo da dieta, limitando a pressão sobre os custos finais.
Custos alimentares e tendências
Entre fevereiro e abril de 2026, o Centro-Oeste registrou um leve recuo de 1,32% no custo total da dieta de terminação. O custo encerrou abril em R$ 1.176,30 por tonelada de matéria seca, com altas em volumosos e energéticos, enquanto os proteicos apresentaram uma leve queda.
No Sudeste, o custo total da dieta de terminação caiu 1,72%, fechando o mês em R$ 1.128,56 por tonelada. Essa redução foi impulsionada pela queda nos preços dos energéticos e proteicos, apesar do aumento nos custos de bagaço de cana e silagem de cana.
Com o mercado chinês se destacando, o Sudeste apresentou maior rentabilidade nas exportações, com lucro estimado em R$ 1.186,10 por cabeça, em comparação a R$ 952,82 no Centro-Oeste. Essa diferença ressalta a importância de estratégias de gestão e eficiência na produção.
O uso de tecnologias de gestão, como o sistema TGC, tem se tornado essencial para o planejamento e a avaliação da viabilidade do confinamento. Embora a rentabilidade ainda seja alta, a atenção à produtividade e à eficiência operacional se torna cada vez mais crucial para o sucesso no setor.











