Uberlandia, MG Qua, 04 de novembro
23° Máx. 32° · Mín. 22° Céu limpo
Previsão para Uberlândia Hoje: céu limpo
Amanhã, 05/11 33° 22° 66% chuva
sex, 06/11 33° 21° 67% chuva
sáb, 07/11 33° 23° 90% chuva
dom, 08/11 32° 21° 84% chuva
seg, 09/11 27° 19° 75% chuva
ter, 10/11 25° 18° 52% chuva
qua, 11/11 25° 18° 67% chuva
Dados meteorológicos fornecidos por Open-Meteo.
Reeleição de Lula exigirá negociações amplas com Congresso, avaliam especialistas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial para esta matéria.
Política

Reeleição de Lula exigirá negociações amplas com Congresso, avaliam especialistas

Compartilhar Facebook X WhatsApp Telegram

Reeleito em outubro com 64 milhões de votos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá pela frente um cenário que exigirá negociação permanente e a construção de alianças amplas. Embora tenha obtido o maior número absoluto de votos da história das eleições presidenciais brasileiras, superior ao resultado de 2022, Lula deverá governar com uma oposição fortalecida no Congresso Nacional.

Os desafios para a governabilidade foram discutidos no seminário Brasil 2027 – Desafios do Novo Ciclo, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, na semana passada. O evento reuniu especialistas para analisar o cenário político após as eleições.

Um dos principais obstáculos para a formação de uma maioria parlamentar é o avanço de representantes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Câmara dos Deputados e no Senado. De acordo com o professor Lúcio Rennó, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), quando considerados também partidos como Progressistas (PP) e Republicanos, a direita terá mais da metade das cadeiras do Congresso.

“Temos uma ideia de um presidente como líder de governo que ganha um mandato direto do país para implementar políticas públicas e funcionou assim por décadas, mas, nos últimos 15 anos, mais ou menos, uma série de reformas desequilibraram a balança em prol do Legislativo e em detrimento do Executivo”, analisou Rennó.

Além da dificuldade para formar maioria, o governo poderá enfrentar uma oposição disposta a obstruir sua agenda. A avaliação é do cientista político Cláudio Couto, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

“A gente está falando de uma direita anti-Estado Democrático”, afirmou Couto. Segundo ele, trata-se de uma direita que “não reconhece a legitimidade do adversário e deve operar em lógica de sabotagem”.

O professor citou como exemplo a resistência de parlamentares à reforma tributária proposta pelo governo Lula. Na avaliação dele, a oposição ocorreu simplesmente por se tratar de uma iniciativa do Executivo, apesar do apoio de representantes do campo bolsonarista, como o senador Ciro Nogueira (PP).

Centrão deverá integrar o governo

Diante desse cenário, os partidos de centro, reunidos sob a denominação de “centrão”, deverão ter papel estratégico na tentativa de formar uma maioria parlamentar, especialmente na Câmara dos Deputados. Para Couto, a negociação com esses grupos será fundamental para viabilizar a agenda do governo.

Um dos primeiros testes da articulação será a eleição para as presidências da Câmara e do Senado, em fevereiro. O resultado poderá influenciar a capacidade do Executivo de negociar projetos e avançar em suas prioridades.

“Quem manda no país hoje são dois atores chave: o presidente da Câmara e o do Senado, eles definem a agenda legislativa, controlam a possibilidade de impeachment e inúmeras nomeações, como para [ministros do] Supremo Tribunal Federal, além da alocação de verbas de emendas parlamentares”, lembrou Rennó.

A interlocução com o centrão, no entanto, não será suficiente. Os especialistas também apontaram a necessidade de melhorar a coordenação política dentro do Executivo, para que integrantes do governo indicados pelas bancadas partidárias atuem em defesa da agenda governista no Congresso.

A tendência, segundo as avaliações apresentadas no seminário, é que os projetos enviados pelo Executivo já incorporem, desde a elaboração, os interesses de diferentes grupos da base aliada. Isso exigirá negociações detalhadas, possivelmente em torno de cada palavra dos textos.

“O Congresso vai querer mexer em tudo. E o que for aprovado daqui para frente será uma agenda que refletirá interesses do Executivo e de sua base no Congresso”, analisou Couto.

Nesse processo, a Casa Civil deverá ter papel fundamental na mediação entre os partidos com representação no governo e no Congresso, acrescentou o cientista político.

Em discursos, Lula tem afirmado que o cenário não é tão adverso e que pretende construir pontes com o Parlamento para avançar na agenda do Executivo. Segundo os especialistas, o terceiro mandato, apesar do cenário eleitoral desfavorável após o primeiro turno, aprovou pautas importantes, como o fim da escala 6×1.

Mobilização social

Além da negociação parlamentar, a mobilização da sociedade poderá ajudar a sustentar a agenda do governo e defender pautas democráticas, afirmou Talita Tanscheit, professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio.

Para a pesquisadora, o Partido dos Trabalhadores (PT) precisa manter “vínculos permanentes” com os movimentos progressistas da sociedade e incorporá-los ao debate político. Outra possibilidade seria ampliar a participação social por meio de conselhos, conferências e outros mecanismos de gestão compartilhada.

“O segundo turno trouxe de volta à cena um ator que não estava presente desde a pandemia de covid-19: a sociedade civil e os movimentos sociais”, disse.

Na avaliação de Talita, o enfrentamento de um Legislativo hostil deverá incluir “inovações democráticas”. Ela também chamou atenção para a mobilização observada no país durante o segundo turno, considerada por ela uma experiência inédita na América Latina nos últimos dez anos.

“É a primeira experiência de protesto com o objetivo claro de colocar voto na urna.” A professora comparou o movimento com protestos ocorridos no Chile e na Colômbia, que tinham como objetivo derrubar governos e suas agendas econômicas.

Desafios para a democracia

Para os especialistas, a eleição de Lula foi importante para a continuidade da democracia no país, mas a resistência de setores da direita poderá limitar a agenda do governo.

Nesse contexto, temas defendidos pela extrema-direita, como a redução da maioridade penal e a reforma do Judiciário, poderão entrar nas negociações políticas. Couto avaliou que a redução da maioridade penal para 16 anos representaria uma proposta intermediária em relação à defendida por setores mais radicais, que propunham a redução para 14 anos em casos de crimes hediondos.

“A redução para 16 anos parece uma proposta mediada”, avaliou.

O debate sobre uma reforma do Judiciário também deverá ganhar espaço em meio às críticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao envolvimento de ministros com o Banco Master. Uma das propostas em discussão prevê retirar da Corte atribuições relacionadas à Justiça Penal e estabelecer mandatos para os magistrados.

“A vitória expressiva do PL, principalmente no Senado, retrata a insatisfação popular com o STF”, avaliou Rennó. Segundo ele, com a legitimidade da Corte abalada, voltam à discussão tanto a possibilidade de impeachment quanto a realização de reformas profundas.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta
Miramontes 350×750
Notíciasletter
Receba nossas noticias
Um resumo direto no seu e-mail.
Sign In/Sign Up Pesquisar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...