Ronnie Lessa revelou tentativa anterior de assassinar Marielle, diz Élcio em delação

CNN teve acesso à delação premiada feita pelo ex-policial militar Élcio Queiroz, preso em 2019 suspeito de participação nos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Durante a delação, Élcio detalhou seu relacionamento com o também ex-policial militar Ronnie Lessa, que Élcio afirma ter sido o executor da vereadora, e contou que Ronnie já havia feito uma tentativa frustrada de matar Marielle em 2017.

Ambos foram presos em março de 2019, um ano após o crime, seguem detidos e ainda não foram julgados.

Segundo a delação de Élcio, Ronnie havia dito a ele que estava monitorando Marielle Franco havia alguns meses, e que já havia tentado “pegar” ela em 2017, mas não havia conseguido.

Nessa tentativa frustrada, Élcio disse que Ronnie afirmou estar acompanhado de dois homens: Edmilson e Maxwell.

A PF prendeu, na manhã desta segunda-feira (24), o ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, citado na delação e suspeito de participação nos assassinatos da vereadora e do motorista. Ele já havia sido preso em junho de 2020 em uma operação que investigava o crime e cumpria prisão domiciliar.

Tentativa frustrada de assassinato em 2017

Na virada de ano de 2017 para 2018, Élcio disse que estava na casa de Ronnie. Segundo a delação, com o avançar da hora e após muita bebida, nessa ocasião Ronnie confidenciou a Élcio, em tom de desabafo, que estava monitorando uma mulher havia alguns meses. E que havia tido a oportunidade de “chegar até esse alvo”, ou seja, assassiná-la, no bairro Estácio, mas não conseguiu.

Segundo Élcio, Ronnie disse a ele que a tentativa foi frustrada, pois Maxwell, que dirigia o carro naquele dia, disse que o veículo estava com problemas mecânicos. No entanto, Ronnie acreditava que Maxwell estava apenas hesitando em continuar.

Nesta tentativa, segundo a delação, Maxwell seria o motorista do carro, Ronnie estaria no banco do carona armado, e Edmilson Oliveira da Silva, de vulgo Macalé, no banco de trás, também armado.

De acordo com Élcio, Marielle já estava sendo monitorada por Ronnie desde os últimos meses de 2017, pelo menos. Ronnie ainda teria dito que, nessa tentativa frustrada, a mulher estava dentro de um táxi.

O dia do assassinato de Marielle

No dia 14 de março de 2018, Élcio disse, na delação, que estava trabalhando, fazendo acompanhamento de caminhões para uma empresa, quando recebeu uma mensagem de Ronnie por volta de meio-dia, pelo aplicativo Confide. Ele queria saber onde Élcio estava e se estaria disponível para dirigir para ele naquele dia.

Élcio disse que terminou o serviço, foi para casa e mandou outra mensagem dizendo que já estava disponível.

Na delação, Élcio relatou que foi até o condomínio de Ronnie, na Barra da Tijuca, por volta de 17h, e o encontrou de pé com uma bolsa de viagem na mão – na qual estava a submetralhadora usada na execução.

Segundo a delação, os dois saíram no carro de Ronnie e pararam em outra rua, onde já havia um carro estacionado, do modelo Cobalt prata. Segundo Élcio, Ronnie determinou que eles deixassem os celulares no veículo de Ronnie. Após isso, eles foram para o outro carro.

Élcio disse que ele entrou no banco do motorista e Ronnie no banco do carona do Cobalt prata. Durante o caminho, segundo Élcio, Ronnie disse que se tratava da vereadora Marielle Franco.

Élcio teria perguntado qual o objetivo, e se havia dinheiro envolvido. Segundo a delação, Ronnie teria respondido que era pessoal, mas Élcio disse acreditar que ele tenha falado isso apenas para não ter que pagá-lo pelo serviço.

Conforme o relato de Élcio, eles estacionaram o carro próximo ao local do evento, Ronnie passou para o banco de trás e começou “a se equipar”. Ele colocou um casaco preto, tirou a submetralhadora da bolsa, colocou o silenciador na arma, pegou um binóculos e ficou observando as pessoas que saíam do evento.

Segundo Élcio, naquele momento Ronnie cogitou executar a vereadora na saída do evento, mas Élcio teria pedido para que Ronnie não fizesse isso ali, pois “seria loucura”.

Élcio disse que viu Marielle entrar no banco de trás, acompanhada de outra mulher – a assessora Fernanda Chagas –, do carro dirigido por Anderson Gomes. Ele disse que teria questionado Ronnie sobre a presença de outra mulher no banco de trás, acreditando que isso o levaria a abortar a missão, mas que Ronnie teria respondido: “Fica tranquilo, não vai pegar nela não”.

O momento da execução

O carro de Marielle saiu e os dois começaram a segui-lo, segundo o relato. Élcio teria alertado que o veículo estava ganhando distância dos dois, ao que Ronnie teria respondido que não teria problema caso perdessem o carro de vista, pois ele sabia de um bar no qual a vereadora ia para beber.

Quando o carro de Marielle parou para esperar outro veículo passar, Ronnie teria dito para Élcio emparelhar com o veículo. Segundo o relato de Élcio, após emparelhar ele apenas escutou uma rajada e cápsulas começaram a cair no seu pescoço. Depois disso, Ronnie teria pedido para irem embora.

Élcio também disse acreditar que a morte de Anderson tenha sido “um efeito colateral”, e não proposital.

*Publicado por Fernanda Pinotti

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