A influenciadora e ex-apresentadora do podcast “Call Her Daddy” Sofia Franklyn revelou, pela primeira vez, que passou por um aborto em 2023. O relato foi incluído no livro de memórias “Daddy Issues” e divulgado pela revista “Vanity Fair” na terça-feira (20.10).
Na obra, Sofia descreve desde a descoberta da gravidez até a decisão de interromper a gestação, além dos sentimentos que ainda carrega sobre o episódio. A experiência ocorreu cerca de três anos depois de sua saída do “Call Her Daddy”, programa que apresentava ao lado de Alex Cooper, que continuou à frente da atração.
Na época, Franklyn enfrentava dificuldades profissionais enquanto tentava consolidar o próprio podcast, “Sofia with an F”. Durante uma viagem a Los Angeles para participar de uma gravação do reality show “Selling Sunset”, ela começou a notar mudanças no corpo, mas ainda não suspeitava de uma gravidez.
“Quando cheguei lá, estava tão inchada que eu, minha prima e a estilista de celebridades que contratei passamos todo o nosso tempo livre fazendo gua sha na minha barriga para que eu pudesse finalmente caber nos looks que ela escolheu para mim”, escreveu.
Ao voltar para Nova York, o então namorado, identificado no livro como Aidan, levantou a possibilidade de que ela estivesse grávida. Inicialmente, Sofia descartou a hipótese por acreditar que estava protegida contra uma gestação indesejada.
“Eu o tranquilizei dizendo que isso não era possível porque eu tinha tomado a versão chinesa da pílula do dia seguinte”, relatou. Apesar da convicção, ela decidiu fazer um teste de gravidez. O resultado positivo a surpreendeu, e a influenciadora passou horas tentando encontrar uma explicação que indicasse um possível erro.
“Passei as três horas seguintes tentando desesperadamente provar que o teste estava errado, comparando a cor das linhas com as fotos na caixa, comparando a caixa com a bula e pesquisando no Google sobre falsos positivos, que, na verdade, são muito mais raros do que falsos negativos”, continuou.
Depois de confirmar a gravidez, Sofia procurou uma unidade da Planned Parenthood, organização norte-americana que oferece serviços de saúde sexual e reprodutiva, para obter atendimento e informações sobre a interrupção da gestação. No livro, ela descreveu os procedimentos da consulta e a insegurança ao conversar com os profissionais.
“Após uma hora na sala de espera inicial, uma enfermeira me levou para uma sala onde coletou meu sangue e me entregou um copo para a amostra de urina, que confirmou a gravidez”, escreveu. Em seguida, relatou ter perguntado: “Ok… Posso fazer um aborto?”.
Segundo Franklyn, a clínica agendou o procedimento para a manhã seguinte. Com isso, ela conseguiu manter uma viagem já planejada para a Costa Amalfitana, na Itália, onde comemoraria o aniversário com a mãe e o irmão.
Mesmo após o aborto, Sofia afirmou que continuou lidando com desconfortos físicos e emocionais. Ao chegar à Itália, disse que sua barriga ainda parecia a de alguém “grávida de seis meses”. Durante a viagem, contou à mãe o que havia acontecido.
A revelação provocou sentimentos conflitantes, especialmente porque a mãe havia engravidado dela aos 21 anos. “Quando finalmente contei para minha mãe, aos 21 anos, grávida de mim, me senti culpada por ter 30 e ter terminado tudo em 48 horas”, escreveu.
“Penso na tal vida que estou protegendo ao não ter um bebê – as festas, o entorpecimento, a fuga. Como posso trazer uma nova vida ao mundo se eu mesma não vivo uma vida que valha a pena?”, acrescentou.
Na introdução do trecho publicado pela “Vanity Fair”, Sofia explicou que decidiu incluir o episódio na autobiografia apesar do desconforto que ainda sente ao falar sobre o assunto. “Compartilho muita coisa neste livro, mas ainda é difícil para mim dizer isso agora”, afirmou.
A influenciadora também refletiu sobre a vergonha e os sentimentos que ainda não compreendeu completamente desde a interrupção da gravidez. “Fazer um aborto não é como ter um escândalo público, nem escrever sobre isso. Geralmente consigo reconciliar os cantos obscuros do meu passado, mas meus sentimentos em relação ao meu aborto ainda estão, de muitas maneiras, pendentes e, francamente, ainda me sinto muito mal em compartilhar isso publicamente. Mas espero que me expor dessa forma me liberte do exílio e da vergonha autoimpostos”, declarou.
Além do relato pessoal, “Daddy Issues” deve abordar a trajetória profissional de Sofia Franklyn, incluindo o rompimento com Alex Cooper e sua saída do “Call Her Daddy”. Anunciada pela editora Simon & Schuster no início de 2026, a autobiografia tem lançamento previsto para 10 de novembro.
De acordo com a divulgação oficial, o livro trará detalhes inéditos da experiência de Sofia como uma das criadoras e apresentadoras do podcast. Lançado em 2018, o “Call Her Daddy” ganhou popularidade ao tratar de sexo, relacionamentos e experiências pessoais.
O sucesso do programa foi acompanhado por divergências contratuais entre as apresentadoras e a Barstool Sports, empresa responsável pela distribuição original. Em 2020, a parceria entre Sofia e Alex terminou, e Cooper passou a comandar o podcast sozinha a partir de maio daquele ano.
A disputa voltou a ser destaque em 2025, quando Alex Cooper apresentou sua versão dos acontecimentos na série documental “Call Her Alex”, lançada pelo Hulu. Na produção, ela afirmou que o podcast já movimentava “milhões de dólares” para a Barstool Sports quando as duas decidiram negociar melhores condições financeiras.
Segundo Cooper, as duas participaram de uma reunião com Dave Portnoy, fundador e CEO da empresa. Durante a conversa, ele teria oferecido às apresentadoras a possibilidade de conquistar os direitos de propriedade intelectual do programa caso permanecessem vinculadas à Barstool por mais um ano.
“Sofia não queria aceitar o acordo, mas eu queria, então fiquei”, alegou Alex no especial da Hulu, lançado em junho de 2025. Ao explicar por que decidiu continuar no projeto, ela destacou a comunidade de ouvintes construída ao longo dos anos: “Percebi que o ‘Daddy Gang’ era maior do que nós duas”.
Na época da estreia do documentário, Sofia Franklyn não respondeu ao pedido de comentário enviado pela revista PEOPLE sobre as declarações da antiga parceira.











