Os preços da soja no Brasil estão em alta, superando R$ 140, impulsionados pela demanda externa aquecida e preocupações climáticas nos Estados Unidos. Essa valorização marca um retorno a patamares que não eram vistos desde janeiro, antes da safra 2025/26. O cenário atual é favorável para os produtores, que podem se beneficiar de um mercado mais robusto.
Dados do Cepea indicam que a combinação de uma postura cautelosa dos vendedores brasileiros e a irregularidade das chuvas no Hemisfério Norte tem contribuído para a valorização da oleaginosa. Além disso, as tensões geopolíticas no Oriente Médio também têm influenciado o comportamento do mercado, aumentando a procura por embarques imediatos.
Exportações brasileiras batem recorde
A demanda internacional continua sendo um dos pilares que sustentam os preços da soja. Em junho, o Brasil exportou 14,49 milhões de toneladas, um recorde histórico para o mês. No primeiro semestre, os embarques totalizaram 69,57 milhões de toneladas, um crescimento de 35% em relação ao ano anterior, destacando a competitividade da soja brasileira no mercado global.
No cenário internacional, os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago também apresentaram forte valorização, superando US$ 12 por bushel. O retorno das compras chinesas de soja norte-americana, com vendas superiores a 700 mil toneladas, tem sido um fator crucial para essa recuperação de preços.
Apesar da alta, o setor enfrenta desafios logísticos significativos. A colheita do milho e o avanço das culturas de inverno estão aumentando a competição por espaço nos armazéns, o que pode limitar a capacidade dos produtores de reter soja e esperar por preços ainda mais altos.
Clima e geopolítica ampliam volatilidade
As condições climáticas nos Estados Unidos e as oscilações do petróleo são fatores que podem influenciar os preços da soja nas próximas semanas. A expectativa é que o comportamento do dólar também continue a ser determinante para a competitividade das exportações brasileiras.
Especialistas recomendam que os produtores aproveitem a recuperação dos preços para realizar vendas parciais, garantindo uma parte da produção para possíveis ganhos futuros. As cooperativas devem intensificar a originação de grãos e acompanhar os prêmios de exportação, enquanto as indústrias esmagadoras veem uma oportunidade de ampliar a cobertura de matéria-prima.
As perspectivas para o mercado da soja permanecem positivas, com estoques globais ajustados e forte demanda internacional. Nos próximos 30 a 60 dias, a tendência é de estabilidade com viés de alta, dependendo da produtividade das lavouras nos Estados Unidos e da continuidade das exportações brasileiras em níveis elevados.











