O mercado internacional da soja está em um momento de expectativa, com os contratos futuros na Bolsa de Chicago (CBOT) operando em estabilidade à espera do relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Este relatório é crucial para a formação de preços das commodities agrícolas e pode impactar diretamente a produção rural e a economia regional.
Os investidores estão cautelosos, evitando movimentos mais agressivos antes da divulgação do relatório WASDE, que trará atualizações sobre a produção, estoques e consumo global de soja. As informações sobre os principais produtores, como Estados Unidos, Brasil e Argentina, são especialmente aguardadas.
Mercado cauteloso após recuperação dos preços
Após uma leve alta na sessão anterior, impulsionada por compras de oportunidade e pela valorização do petróleo, a soja apresentou movimentos limitados. Os contratos mais negociados oscilaram entre pequenos ganhos e perdas, refletindo a cautela dos participantes do mercado.
Na quarta-feira, os futuros da oleaginosa registraram recuperação após atingir os menores níveis em quatro meses. O contrato de julho fechou a US$ 11,23 por bushel, com uma valorização de 0,83%, enquanto agosto encerrou a US$ 11,27 por bushel, acumulando ganho de 0,80%.
Expectativas para o relatório do USDA
As projeções do mercado indicam ajustes moderados nos números que o USDA divulgará. A expectativa é de uma leve redução nos estoques finais norte-americanos para a temporada 2026/27, refletindo uma demanda firme. Analistas estimam uma safra dos Estados Unidos próxima de 4,433 bilhões de bushels, praticamente estável em relação à projeção anterior.
No cenário global, espera-se um aumento dos estoques mundiais de soja, que podem superar 125 milhões de toneladas. A atenção dos investidores também se volta para o ritmo das importações chinesas, um fator determinante para o equilíbrio entre oferta e demanda.
Clima no Corn Belt e influências externas
As condições climáticas nos Estados Unidos são um dos principais direcionadores do mercado. Previsões indicam chuvas favoráveis para regiões produtoras do Corn Belt, o que pode beneficiar o desenvolvimento das lavouras. No entanto, a leve deterioração das condições das lavouras americanas mantém os agentes do mercado atentos.
Além disso, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e a valorização do petróleo influenciam diretamente o setor de energia e, consequentemente, o complexo soja. O cenário geopolítico adiciona um componente extra de risco às negociações, afetando a dinâmica de preços.
Brasil e o mercado físico
Enquanto isso, o Brasil se consolida como o principal fornecedor global de soja. As expectativas são de que o USDA eleve sua estimativa para a safra brasileira 2025/26, atualmente projetada em cerca de 180 milhões de toneladas. Na Argentina, também se esperam revisões positivas para a colheita.
No mercado brasileiro, os preços são influenciados pela logística e pelo ritmo das exportações. No Rio Grande do Sul, a colheita da safra de verão foi concluída, com produtividade média de 2,9 toneladas por hectare. Em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a atenção se volta para a comercialização da safra e a necessidade de liberar espaço para o milho safrinha.
A divulgação do relatório do USDA deverá definir a direção dos preços internacionais no curto prazo. A expectativa é que, caso os números confirmem estoques mais apertados ou uma demanda global robusta, o mercado encontre suporte adicional. Por outro lado, estoques elevados e clima favorável podem limitar movimentos de valorização.











