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Soja reage em Chicago com tensão no Oriente Médio e vendas lentas
Imagem: Reprodução
Agro

Soja reage em Chicago com tensão no Oriente Médio e vendas lentas

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O mercado da soja apresentou volatilidade nesta quinta-feira (28), com os preços na Bolsa de Chicago se recuperando devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio e à alta do petróleo. Apesar dessa reação positiva no exterior, as vendas no Brasil continuam lentas, com produtores cautelosos em meio a incertezas e custos logísticos elevados.

Os contratos futuros da soja na Bolsa de Chicago subiram mais de 0,5%, com o contrato de julho cotado a cerca de US$ 11,92 por bushel. Esse movimento também beneficiou os subprodutos, como o farelo e o óleo de soja, que registraram ganhos moderados.

Impacto das tensões geopolíticas

A escalada de conflitos entre Estados Unidos e Irã tem gerado preocupações nos mercados globais. A valorização do petróleo Brent e WTI, que superou 2%, contribuiu para a alta das commodities agrícolas. O estreito de Ormuz, crucial para o transporte de petróleo, permanece sob vigilância, aumentando a aversão ao risco entre investidores.

Além do cenário internacional, as condições climáticas nos Estados Unidos também são monitoradas. O clima seco no Corn Belt pode favorecer o plantio, mas já levanta preocupações sobre o desenvolvimento das lavouras nas próximas semanas. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o plantio da soja atingiu 79% da área projetada, um número acima da média histórica.

Desafios no mercado físico brasileiro

No Brasil, a recuperação dos preços internacionais ainda não se traduziu em uma melhora nas vendas no mercado físico. Os agricultores estão retendo estoques, aguardando melhores oportunidades de preço. No Rio Grande do Sul, a colheita da safra está quase completa, com a soja sendo negociada a cerca de R$ 130,00 por saca.

Em Santa Catarina, a comercialização permanece pontual, refletindo a postura defensiva dos produtores. Já no Paraná, a safra foi encerrada com uma produção de 21,7 milhões de toneladas, mas o Porto de Paranaguá viu uma leve valorização, enquanto algumas regiões enfrentaram ajustes negativos nos preços.

Pressões logísticas no Centro-Oeste

O Centro-Oeste brasileiro enfrenta desafios significativos relacionados à armazenagem e ao escoamento da produção. Em Mato Grosso do Sul, a safra recorde de 16,744 milhões de toneladas pressiona a infraestrutura logística. Mato Grosso, o maior produtor de soja do país, continua a enfrentar um déficit de capacidade de armazenagem, forçando muitos agricultores a escoar a safra em momentos de preços desfavoráveis.

Esse cenário levanta preocupações sobre os custos de frete e a necessidade de investimentos em infraestrutura, essenciais para garantir a competitividade do agronegócio brasileiro. A combinação de fatores externos e internos continuará a influenciar o comportamento do mercado nos próximos dias.

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