A StoneX revisou para cima as projeções para as safras brasileiras de soja, milho e algodão na temporada 2026/27. A consultoria agora estima uma produção recorde de 184,95 milhões de toneladas de soja, alta de 0,9% em relação à previsão anterior e de 1,3% na comparação com o ciclo passado.
A revisão considera principalmente a melhora nas perspectivas de produtividade em Mato Grosso, maior produtor nacional da oleaginosa. O plantio acelerado e as condições climáticas favoráveis nos primeiros estágios de desenvolvimento das lavouras também contribuíram para o aumento das expectativas.
A StoneX passou a trabalhar com produtividade média de 3,74 toneladas por hectare para a soja brasileira, acima das 3,72 toneladas por hectare registradas no ciclo anterior. A consultoria também elevou as estimativas de produção no Pará, Maranhão e Piauí.
Nesses estados, porém, os riscos associados ao fenômeno El Niño exigem acompanhamento. Segundo a StoneX, em anos de El Niño aumenta a possibilidade de condições climáticas desfavoráveis. Na Região Sul, o plantio avança em ritmo acelerado, embora outubro tenha registrado volumes elevados de chuva. A evolução do clima será determinante para confirmar o potencial produtivo ao longo da temporada.
Com a expectativa de uma safra maior, a consultoria elevou para 115,5 milhões de toneladas a previsão de exportações brasileiras de soja em 2026/27. O volume é 500 mil toneladas superior à projeção de outubro e supera as mais de 113 milhões de toneladas estimadas para o ciclo anterior.
A StoneX, no entanto, aponta incertezas sobre a continuidade do crescimento da demanda chinesa pela soja brasileira. A preocupação está relacionada ao aumento das compras de soja norte-americana pela China, movimento influenciado também por questões políticas e comerciais. O comportamento do mercado chinês deve afetar o ritmo dos embarques brasileiros e a formação dos preços na temporada.
Para o milho, a StoneX divulgou a primeira estimativa para a segunda safra brasileira de 2026/27. A projeção é de 113,53 milhões de toneladas, crescimento de 2,3% sobre o ciclo anterior, com aumento estimado de aproximadamente 350 mil hectares na área plantada.
A expansão pode ser favorecida pela melhora recente nos preços de alguns insumos e pela perspectiva de rentabilidade para os produtores. O plantio acelerado da soja também tende a beneficiar o calendário do milho safrinha, que é cultivado principalmente após a colheita da oleaginosa. A implantação antecipada da soja pode permitir a semeadura do cereal dentro da janela considerada mais adequada no início de 2027.
A consultoria também considera possível a recuperação da produtividade em estados como Bahia e Goiás, que enfrentaram problemas climáticos em regiões importantes durante 2026. Somando todas as safras, a produção brasileira de milho poderá chegar a aproximadamente 146 milhões de toneladas em 2026/27, acima das 141,4 milhões de toneladas estimadas na temporada anterior.
As exportações brasileiras de milho são projetadas em 42 milhões de toneladas, 2 milhões de toneladas acima do previsto para o ciclo anterior. O resultado dependerá da confirmação da produção, do consumo interno e da competitividade do cereal brasileiro no mercado internacional.
No algodão, a StoneX elevou em 3% a estimativa para a safra 2026/27, para 4 milhões de toneladas de pluma. A revisão considera principalmente a melhora nas perspectivas de produtividade em Mato Grosso e na Bahia.
A possível antecipação da colheita da soja pode abrir espaço para o plantio do algodão dentro da janela agronômica considerada ideal. A consultoria também aponta a concentração da cultura em áreas de maior aptidão agrícola e o uso de sementes com genética mais avançada como fatores que podem ampliar o potencial produtivo.
Para as exportações de algodão, a projeção é de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, alta de 150 mil toneladas em relação à estimativa anterior. Apesar da revisão positiva, o volume representa uma redução de 200 mil toneladas na comparação anual. A StoneX prevê queda de 2,5% na produção brasileira em relação à safra 2025/26, mas estima que o Brasil continuará entre os principais fornecedores mundiais e como maior exportador global da fibra.
As novas estimativas indicam potencial elevado para o agronegócio brasileiro em 2026/27, mas a confirmação dos volumes dependerá da evolução do clima, especialmente dos riscos associados ao El Niño, além dos custos de produção e dos preços agrícolas. O calendário de plantio também será decisivo para favorecer a semeadura do milho safrinha e do algodão dentro das janelas mais adequadas.
Fonte: Portal do Agronegócio.











