O Brasil apresentou uma queda significativa no número de assassinatos em 2024, com 42.590 casos registrados, o que representa uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes. Esses dados, divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam uma melhora nos indicadores nacionais, embora o cenário no Nordeste continue alarmante.
Entre 2019 e 2024, estados como Ceará, Maranhão e Piauí viram suas taxas de homicídios aumentarem em 28%, 25,9% e 20,5%, respectivamente. A região, que concentra 17 dos 20 municípios mais violentos do Brasil, enfrenta um desafio contínuo em relação à segurança pública, levantando questões sobre a eficácia das políticas implementadas.
Desafios da Segurança Pública no Nordeste
O coordenador do estudo, Daniel Cerqueira, aponta que a transição demográfica e a maturidade das políticas públicas em segurança são fatores cruciais para entender a disparidade entre as regiões. Enquanto o Sul e Sudeste avançam em ações orientadas por resultados, o Nordeste ainda luta para implementar estratégias eficazes.
Além disso, a presença de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) agrava a situação. Essas organizações, que se expandiram por diversas unidades federativas, geram conflitos territoriais e disputas violentas pelo controle do tráfico de drogas, especialmente em estados como Bahia e Ceará.
A falta de uma abordagem mais inteligente por parte do Estado, que muitas vezes recorre à violência policial, contribui para a perpetuação do ciclo de criminalidade. Cerqueira enfatiza que a segurança pública deve ser tratada como um direito de cidadania, com foco em inteligência e prevenção, ao invés de ações repressivas.
A localização geográfica do Nordeste também favorece o tráfico de drogas, com rotas que facilitam o escoamento de substâncias ilícitas para outros continentes. A crescente utilização da rota do Solimões para o transporte de cocaína é um exemplo claro desse fenômeno, que se intensificou nos últimos anos.
Por fim, a recente decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas levanta preocupações sobre a soberania do Brasil e as possíveis consequências econômicas. Essa designação pode impactar o fluxo internacional de capitais e complicar a colaboração entre as forças de segurança dos dois países.











