O mercado de trigo no Brasil enfrenta um cenário desafiador, com negociações lentas no Sul do país e uma queda nas cotações na Bolsa de Chicago. A combinação de uma demanda cautelosa e a influência do clima global têm gerado incertezas na oferta, impactando diretamente a produção rural e a economia regional.
Mercado interno: baixa liquidez e seletividade
No Sul do Brasil, as transações de trigo estão em ritmo lento, com moinhos adotando uma postura cautelosa. A demanda por farinhas e os custos logísticos são fatores que têm pressionado os preços, resultando em negócios pontuais e uma liquidez reduzida.
No Rio Grande do Sul, os preços apresentaram uma leve alta, com o trigo argentino servindo de referência. No entanto, a movimentação no mercado continua baixa, com cotações em torno de R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada, sem mudanças significativas nas vendas.
Em Santa Catarina, a estabilidade predomina, mas o frete continua a influenciar os preços finais. As cotações variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto no Paraná, a situação é semelhante, com moinhos abastecidos e compras mais concentradas na nova safra.
Impactos do clima e do fenômeno El Niño
O mercado internacional também está em alerta, com a Bolsa de Chicago registrando quedas nos contratos futuros de trigo. A atenção dos investidores se volta para as condições climáticas nas principais regiões produtoras e as expectativas de oferta global, especialmente com a possibilidade de intensificação do fenômeno El Niño.
Esse fenômeno pode trazer consequências distintas: enquanto algumas áreas da Ásia e Austrália podem enfrentar perdas, a Argentina pode se beneficiar com um aumento nas chuvas, potencializando sua produção na safra 2026/27.
No Brasil, a semeadura das lavouras de inverno está em andamento, e as condições climáticas das próximas semanas serão cruciais para o desenvolvimento das plantações. A expectativa é que o clima influencie diretamente a safra nacional, refletindo nas cotações e na oferta do produto.
Em resumo, o mercado de trigo no Brasil enfrenta um período de baixa liquidez e pressão externa, enquanto o clima global e o fenômeno El Niño adicionam volatilidade às projeções de oferta. Produtores e consumidores devem estar atentos a essas dinâmicas para melhor se posicionar no mercado.











