O mercado de trigo no Brasil enfrenta um cenário desafiador, impulsionado pela redução da safra nos Estados Unidos, que atingiu o menor volume em mais de 50 anos. A nova estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta para uma produção de apenas 41,81 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 22,6% em relação à safra anterior. Essa situação tem gerado um impacto significativo nas cotações internacionais e na oferta interna do cereal.
Com a escassez de trigo da safra velha no Brasil, os preços continuam elevados, mesmo com a competitividade das importações. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que a combinação de estoques reduzidos e uma demanda constante dos moinhos tem sustentado os valores, apesar da desvalorização do dólar frente ao real.
Desafios na qualidade e moagem do trigo no Brasil
No Rio Grande do Sul, a moagem de trigo tem enfrentado um ritmo mais lento, refletindo a menor demanda por novos lotes. Os moinhos estão lidando com a preocupação em relação à qualidade dos grãos, especialmente devido aos altos índices de DON (deoxinivalenol), que afetam a utilização industrial do cereal. Essa situação tem pressionado os preços para uma faixa entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada.
Em Santa Catarina, o mercado permanece praticamente estagnado, com produtores aguardando uma valorização maior das cotações. Os preços para o trigo-pão variam entre R$ 1.300 e R$ 1.350 por tonelada, enquanto o trigo branqueador é cotado entre R$ 1.360 e R$ 1.400 por tonelada, sem grandes movimentações de negócios.
O Paraná, por sua vez, apresenta um mercado firme, com a baixa disponibilidade interna levando os compradores a oferecerem cerca de R$ 1.450 por tonelada CIF. A procura pelo trigo paraguaio também aumentou, devido à melhor qualidade e disponibilidade do produto, enquanto as negociações para a nova safra ainda estão em fase inicial.
Com a expectativa de menor produção nos Estados Unidos e a restrição da oferta da safra velha no Brasil, o mercado de trigo deve continuar em atenção. A qualidade dos grãos, o comportamento do dólar e a competitividade das importações serão fatores cruciais para a definição dos preços nas próximas semanas, impactando tanto produtores quanto consumidores.











