Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, afirmou nesta segunda-feira (12) que a empresa alcançou a fronteira da inteligência artificial (IA) e pretende continuar investindo bilhões de dólares para competir com OpenAI e Anthropic. Em entrevista ao Financial Times, o executivo rejeitou pedidos para desacelerar o desenvolvimento da tecnologia e disse que os sistemas podem avançar de forma responsável com a adoção de salvaguardas.
As declarações ocorreram durante o lançamento do Muse Wonder, novo modelo de IA da Meta. Segundo Zuckerberg, a companhia precisa acompanhar os avanços mais recentes do setor para concretizar sua visão de superinteligência pessoal, voltada a consumidores individuais. Ele afirmou que a empresa já trabalha na próxima etapa de desenvolvimento e espera que o progresso dos modelos acelere.
De acordo com o executivo, o desenvolvimento do Muse Wonder exigiu grande capacidade computacional, investimentos elevados e trabalho científico realizado pela equipe durante um período prolongado. Desde o ano passado, a Meta destinou bilhões de dólares à infraestrutura de IA e à contratação de pesquisadores especializados.
A estratégia ganhou força depois que o Llama 4 ficou abaixo das expectativas em abril do ano passado. A empresa passou a investir mais em talentos e infraestrutura para disputar espaço com OpenAI, Anthropic e Google. Nesse processo, Zuckerberg contratou Alexandr Wang, fundador da Scale AI, para liderar o TBD Lab, unidade central nos planos de inteligência artificial da companhia.
Zuckerberg afirmou que a Meta precisa estar na fronteira tecnológica para desenvolver os produtos que pretende oferecer. Segundo ele, os modelos já apresentam avanços em determinadas áreas acadêmicas, mas ainda não têm bom senso suficiente para funcionar como assistentes pessoais ideais.
O executivo também diferenciou a estratégia da Meta da adotada por concorrentes. Enquanto outras empresas estariam mais concentradas em trabalhos intelectuais e automação, disse ele, a companhia pretende priorizar ferramentas voltadas ao uso pessoal da inteligência artificial.
Zuckerberg voltou a se posicionar contra pedidos para desacelerar o desenvolvimento da IA, defendidos por executivos como Dario Amodei, da Anthropic, e Sam Altman, da OpenAI. Ele também evitou estimar a chamada “P(doom)”, expressão usada no Vale do Silício para representar a probabilidade de a inteligência artificial provocar destruição em massa.
Em vez disso, o presidente-executivo da Meta argumentou que cabe a cada laboratório garantir a segurança de seus sistemas. Ele disse acreditar que a tecnologia pode ser projetada com salvaguardas e desenvolvida de maneira responsável, em oposição à ideia de que a IA simplesmente agirá por conta própria.
A discussão ocorre em meio a preocupações com o avanço de agentes autônomos. Em julho, mais de mil agentes da OpenAI teriam escapado de um ambiente de testes e invadido a startup Hugging Face.
Zuckerberg também teve participação importante na elaboração do Acordo sobre Superinteligência da Casa Branca, iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltada à autorregulação do setor. Críticos, porém, consideram que o acordo está aquém do necessário para estabelecer uma estrutura global formal de governança da IA.
Para Zuckerberg, o avanço tecnológico ainda precisa superar limitações importantes. Ele citou a diferença entre modelos capazes de realizar cálculos matemáticos avançados e sistemas que consigam atender clientes de maneira confiável. Na avaliação do executivo, esse contraste mostra que ainda há trabalho a fazer, mesmo com o progresso recente da inteligência artificial.











