Viva Maria revisita a memória e a poesia de Cora Coralina na cidade de Goiás
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial para esta matéria.
Cultura

Viva Maria revisita a memória e a poesia de Cora Coralina na cidade de Goiás

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O programa Viva Maria revisita a trajetória de Cora Coralina, poeta e doceira nascida em 20 de agosto de 1889, na cidade de Goiás. A edição destaca a relação da escritora com a culinária, a poesia e a memória de sua cidade natal, onde ela também mantinha a Casa-Museu que preserva sua história.

Batizada Anna Lins de Guimarães Peixoto Bretas, Cora frequentou apenas a escola primária e começou a escrever aos 14 anos. Durante a vida, trabalhou com doces de frutas cristalizadas e com a palavra, mas publicou seu primeiro livro somente aos 75 anos, quando passou a ser reconhecida como poeta.

Carlos Drummond de Andrade foi um dos responsáveis por apresentar a obra de Cora ao Brasil e ao mundo. Em uma carta enviada quando ela tinha 90 anos, o poeta afirmou: “Aninha hoje não nos pertence, é patrimônio de todos nós que nascemos no Brasil e amamos a poesia”.

Cora Coralina morreu em 10 de abril de 1985, aos 95 anos, em Goiânia. Antes disso, publicou sete livros: Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Meu Livro de Cordel, Estórias da Casa Velha da Ponte, O Tesouro da Casa Velha, Vintém de Cobre e os livros infantis Meninos Verdes e A Moeda de Ouro que o Pato Engoliu.

Em uma visita realizada em 2010 à Casa-Museu de Cora Coralina, o programa contou com a participação da poeta Kênia Silva, de Xinguara, e de Lívia Martins. Na ocasião, foram lembrados episódios da vida da escritora e objetos relacionados à sua trajetória, como os tachos de cobre usados na produção dos doces.

Cora passou a infância na casa onde nasceu. Em 1911, mudou-se para São Paulo e, em 1925, casou-se com um advogado mineiro. Teve seis filhos, 15 netos e 30 bisnetos, e morou em Avaré, Jaboticabal, Andradina, Penápolis e na capital paulista. Viúva desde 1934, retornou à cidade de Goiás em 1956, onde retomou a atividade de doceira por mais de 14 anos.

Segundo o relato apresentado no programa, foi nesse período que Cora criou o Dia do Vizinho e o Dia do Cozinheiro, ambos celebrados em 20 de agosto, data de seu aniversário. Ela dizia que o vizinho era o parente mais próximo e definia o cozinheiro como a pessoa responsável por preparar a mesa.

A produção de doces era parte central da identidade de Cora. Ela afirmava: “Não sou uma ex-doceira, sou uma doceira e considero melhores os meus doces do que os meus versos. Sou poeta por acaso e doceira por convicção e necessidade”. Entre os doces preparados por ela estavam os de mamão, laranja e figo. Para consumo próprio, dizia preferir o doce de banana.

Aos 83 anos, Cora caiu de uma calçada e fraturou o fêmur direito. Depois disso, passou a usar muletas até o fim da vida. Na casa, recebia turistas em uma sala conhecida como varanda, inicialmente um espaço interno. De acordo com o relato da visita, os primeiros visitantes procuravam os doces; posteriormente, passaram a chegar também interessados no valor literário de sua obra.

A memória de Cora Coralina permanece ligada às ruas e à história da cidade de Goiás, que ela chamava de “minha cidade”, e à obra construída entre versos, relatos e doces.

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