No dia 8 de maio de 2026, o Instituto de Estudos da Religião (Iser) e o Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) lançaram um sumário executivo sobre as chacinas da Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. O documento marca o 31º aniversário da primeira chacina, ocorrida em 1994, e traz à tona a luta contínua por justiça das famílias das vítimas.
As chacinas, que resultaram na morte de 13 pessoas em cada um dos eventos, ocorreram em 1994 e em 2025. A primeira foi uma represália a um ataque à delegacia de Bonsucesso, enquanto a segunda, em 2025, envolveu um confronto com a polícia, onde a maioria das vítimas eram menores de idade.
Denúncia e Análise
O sumário executivo apresenta uma análise crítica da condução da política de segurança pública no estado, destacando a violência sistemática contra as comunidades periféricas. O documento é descrito como um manifesto que denuncia a negligência do Estado em relação aos direitos humanos e à memória das vítimas.
Lucas Matos, coordenador do Iser, enfatizou que a democracia brasileira é marcada pela violência de Estado, especialmente contra a população negra e periférica. Ele ressaltou a necessidade de um plano para reduzir a letalidade policial e garantir a independência das perícias.
A diretora do Cejil, Helena Rocha, destacou que a reparação às famílias das vítimas não se limita a indenizações financeiras. Ela ressaltou que muitos casos ainda enfrentam lentidão nas questões sucessórias, afetando filhos e netos das vítimas.
O relatório também menciona a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que reconhece o contexto estrutural de violência policial no Rio de Janeiro. A Corte apontou a letalidade policial como uma questão racial e de classe, atingindo desproporcionalmente jovens negros e pobres.
A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, em resposta, afirmou que as forças policiais atuam de forma integrada no combate ao crime, destacando uma redução nos índices de homicídios e letalidade violenta. Contudo, a eficácia dessas ações ainda é questionada por organizações de direitos humanos.











