Uma tecnologia em desenvolvimento promete automatizar a aplicação de maquiagem por aerógrafo. A proposta é que a máquina mapeie as feições do rosto, misture cosméticos em tempo real e realize etapas como aplicação de base e contorno.
A Gemma, da Gemma Robotics, ainda está em versão beta e oferece cadastro para novidades e acesso antecipado. Segundo a empresa, a usuária poderá escolher e personalizar o visual antes da aplicação, que abrangeria pele, olhos e lábios.
Para o maquiador brasileiro Carlos Moura, identificar a anatomia do rosto e definir o efeito desejado são tarefas diferentes. “Um mapa facial localiza cada volume, mas não explica por que ele deveria ser afinado. Antes de fazer o contorno, eu preciso entender como aquela pessoa gosta de se ver”, afirma.
Escurecer as laterais do nariz pode criar a impressão de afinamento, enquanto a aplicação de sombra abaixo das maçãs evidencia a estrutura óssea. Já a distribuição de luz em pontos específicos pode alongar visualmente o rosto. Apesar dos efeitos, essas transformações não precisam ser obrigatórias de acordo com o formato das feições: a mesma pessoa pode preferir uma expressão marcada em uma ocasião e um resultado suave em outra.
Na avaliação de Carlos, a intenção da pessoa deve orientar o desenho, mesmo quando a execução é precisa. “A técnica pode estar perfeitamente executada e ainda entregar um rosto no qual a pessoa não se reconhece. Saber fazer um nariz parecer mais fino não significa que esse seja o melhor resultado para quem está na cadeira”, explica.
A escolha da cor da base também representa apenas uma parte do processo. A quantidade de cobertura define quanto da pele continuará aparente. Uma marca pode receber correção localizada enquanto as sardas permanecem visíveis, assim como o pedido por uma “pele natural” pode significar desde uma aplicação mínima até uma preparação completa com acabamento discreto.
Como a fabricante anuncia a possibilidade de personalização, a tecnologia terá de lidar com os limites dessas escolhas. Ajustar a aplicação às proporções do rosto oferece precisão, enquanto preservar volumes, texturas e assimetrias amplia as opções estéticas. Expressões e mudanças na iluminação também podem alterar a percepção do acabamento, já que um brilho pensado para fotografias pode parecer intenso à luz do dia.
Carlos vê potencial no robô para reproduzir um visual que a pessoa já conhece e deseja repetir, desde que seja possível adaptar o resultado às preferências individuais. “Eu deixaria um robô executar a maquiagem, mas por experiência apenas. Acredito que um robô nunca substituirá um profissional”, conclui.











