A cobrança para ampliar o uso da inteligência artificial nas empresas já alcança os cargos de liderança, mas o preparo para conduzir essa transformação varia entre os níveis hierárquicos. É o que aponta a pesquisa Cultura na Prática, realizada pelo Instituto QualiBest para o iGastronomia com 1.406 profissionais, dos quais 809 ocupam funções de liderança.
Entre os líderes entrevistados, 70% esperam ser demandados a estimular o uso de inteligência artificial pelas equipes. Embora 68% afirmem estar preparados em algum grau para conduzir essa mudança, apenas 25% se consideram muito preparados.
O maior descompasso aparece entre coordenadores e supervisores. Nessa faixa, 38% esperam ser muito demandados a implementar a tecnologia nas equipes, mas somente 12% dizem estar muito preparados para isso. Entre gerentes, 27% se consideram muito preparados. O percentual chega a 33% entre diretores e vice-presidentes.
A percepção dos profissionais sobre o próprio preparo também é superior à avaliação que fazem de suas empresas. Segundo o levantamento, 71% dos entrevistados estão familiarizados com ferramentas de IA e 45% afirmam utilizá-las várias vezes ao dia. Enquanto 69% se consideram preparados para usar a tecnologia no trabalho, 60% avaliam que a organização em que atuam está preparada para adotá-la.
O acesso às ferramentas aparece como um dos fatores que ajudam a explicar essa diferença. Para 57% dos entrevistados, a empresa incentiva o uso de IA e disponibiliza os recursos necessários. O índice chega a 72% nas organizações com mais de 5 mil funcionários.
Outros 28% afirmam que há incentivo ao uso, mas não existe oferta de ferramentas, levando os profissionais a buscar soluções por conta própria. Entre coordenadores e supervisores, esse percentual chega a 38%. Já entre os profissionais que consideram suas empresas despreparadas para adotar a IA, 42% relatam que há incentivo sem disponibilização de ferramentas, enquanto 10% dizem que a organização restringe o uso da tecnologia.
“Tecnologia sem cultura é apenas ferramenta. Não dá para liderar a transformação que você não vive, e o líder que vai cobrar o uso de IA da equipe precisa ter a ferramenta na mão e espaço para aprender junto com o time”, afirma Raphael Bozza, sócio e vice-presidente de Pessoas do iGastronomia.
Para 55% dos profissionais, o uso de inteligência artificial está associado à cultura da empresa. Entre aqueles que afirmam ver a cultura organizacional sendo praticada sempre, o índice sobe para 75%. Já entre os que não percebem essa prática, 37% não associam os dois fatores. A pesquisa ressalta, porém, que mede a associação entre as percepções e não estabelece uma relação de causa e efeito.
A percepção de que a IA já está incorporada à cultura da empresa também varia conforme o nível hierárquico. O índice chega a 79% entre diretores, ante 66% entre gerentes, 47% entre coordenadores e supervisores e 42% entre analistas e especialistas.
Apesar das diferenças de percepção e preparo, a avaliação geral sobre o impacto da tecnologia é positiva. Para 86% dos entrevistados, a IA abre novas formas de trabalhar, enquanto 85% esperam que a tecnologia ganhe cada vez mais importância para o desempenho profissional. Outros 75% afirmam que a IA já contribui positivamente para o trabalho e para os resultados das empresas.
Essa percepção também varia conforme a posição ocupada. Entre diretores, 90% avaliam positivamente a contribuição da IA para o trabalho e os resultados, enquanto o percentual cai para 67% entre analistas e especialistas.
Ao mesmo tempo, os impactos sobre o mercado de trabalho aparecem como uma preocupação. Segundo a pesquisa, 42% concordam que a inteligência artificial pode reduzir a quantidade de empregos disponíveis, enquanto 36% discordam dessa possibilidade.
O levantamento faz parte da agenda do iGastronomia sobre cultura organizacional. O tema também será abordado no livro Código Aberto: O Jeito iGastronomia de Trabalhar, que será lançado pela Editora Gente em janeiro de 2027.











