A Uber pretende disponibilizar mais de 2 mil veículos totalmente autônomos em sua plataforma até o fim de 2027. A meta foi apresentada nesta quarta-feira (4), durante a divulgação dos resultados financeiros da empresa no terceiro trimestre de 2026.
O número representa um aumento em relação aos cerca de 700 carros que a companhia espera reunir até dezembro deste ano. Segundo o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, a estratégia entrou em uma nova fase, voltada à expansão comercial dos serviços de transporte autônomo.
A empresa afirmou que investirá mais de US$ 10 bilhões, aproximadamente R$ 54,8 bilhões, na ampliação de sua rede de robotáxis. No longo prazo, a ambição é colocar mais de 120 mil veículos sem motorista em operação.
De acordo com as declarações apresentadas aos investidores, aproximadamente metade dos mais de 2 mil veículos previstos para 2027 deverá operar nos Estados Unidos. A outra metade ficará em mercados internacionais.
A expansão coloca a Uber em uma disputa mais acirrada com empresas especializadas em direção autônoma. Uma das principais concorrentes é a Waymo, subsidiária da Alphabet, controladora do Google, que já tem aproximadamente 4 mil veículos em circulação, a maioria nos Estados Unidos.
Apesar da concorrência, a Uber mantém uma relação comercial com a Waymo. A empresa opera mais de 500 veículos em Austin e Atlanta por meio da plataforma de transporte da Uber.
A estratégia da companhia não depende apenas do desenvolvimento de carros e sistemas próprios de direção autônoma. A Uber pretende reunir diferentes parceiros em uma mesma rede. Em março, a empresa e a Rivian anunciaram uma parceria para implantar até 50 mil robotáxis elétricos a partir de 2028, com possibilidade de expansão para 25 cidades até 2031.
Outro projeto envolve a fabricante Lucid e a empresa de tecnologia autônoma Nuro. As companhias planejam iniciar um serviço de robotáxis na região da Baía de São Francisco e em Houston, nos Estados Unidos, usando veículos Lucid Gravity equipados com a tecnologia de direção autônoma da Nuro.
A aposta nos veículos sem motorista ocorre em meio a dificuldades na operação tradicional da Uber. A divisão de mobilidade registrou receita de aproximadamente US$ 7,5 bilhões, cerca de R$ 41,1 bilhões, no terceiro trimestre — US$ 200 milhões abaixo das expectativas dos analistas, segundo a reportagem da Folha de S.Paulo.
A companhia enfrenta dificuldades para ampliar a oferta de motoristas em alguns mercados e também sofre com a alta dos combustíveis. Para tentar melhorar o cenário, oferece incentivos financeiros e bônus de adesão aos condutores.
Os resultados gerais, porém, indicam crescimento da plataforma. As reservas brutas, que reúnem os gastos dos clientes nos serviços da Uber, aumentaram 20% em relação ao mesmo período do ano passado e chegaram a US$ 59,8 bilhões, aproximadamente R$ 327,7 bilhões.
A receita total foi de US$ 14,8 bilhões, cerca de R$ 81,1 bilhões, alta anual de 10%. Já o lucro operacional, calculado com base nos princípios contábeis estadunidenses (GAAP), alcançou US$ 1,4 bilhão, aproximadamente R$ 7,7 bilhões.
A Uber também informou que pretende reduzir o ritmo de aquisições para concentrar recursos nos veículos autônomos e na recompra de ações. Em setembro, a empresa havia anunciado planos de cortar cerca de 10% de sua força de trabalho global, o equivalente a aproximadamente 3,3 mil postos.
Khosrowshahi afirmou que a expansão inicial dos robotáxis será financiada com recursos próprios. A expectativa é buscar investimentos de terceiros quando a frota autônoma ultrapassar 10 mil veículos, o que pode ocorrer a partir de 2028.
Atualmente, a companhia mantém operações limitadas em nove cidades e planeja acrescentar até 15 localidades à lista ainda em 2026. O avanço dependerá da disponibilidade de veículos, da infraestrutura necessária e da capacidade dos parceiros de colocar os serviços em funcionamento.
A meta de 2 mil carros em 2027 é considerada uma etapa intermediária de um projeto maior. O desafio da Uber será transformar os acordos com fabricantes e empresas de tecnologia em serviços comerciais capazes de operar em escala e disputar passageiros com concorrentes que já avançaram no mercado de robotáxis.











