Uberlandia, MG Qui, 29 de outubro
20° Máx. 26° · Mín. 20° Nublado
Previsão para Uberlândia Hoje: nublado
Amanhã, 30/10 25° 20° 98% chuva
sáb, 31/10 28° 20° 98% chuva
dom, 01/11 28° 20° 86% chuva
seg, 02/11 29° 19° 92% chuva
ter, 03/11 30° 20° 45% chuva
qua, 04/11 31° 20° 52% chuva
qui, 05/11 29° 20° 78% chuva
Dados meteorológicos fornecidos por Open-Meteo.
Aceleração e frenagem de carros elétricos podem aumentar enjoo em passageiros suscetíveis
Foto original adaptada visualmente por IA.
Carros

Aceleração e frenagem de carros elétricos podem aumentar enjoo em passageiros suscetíveis

Compartilhar Facebook X WhatsApp Telegram

Alguns passageiros relatam náusea, tontura e desconforto nos primeiros minutos de uma viagem em carros elétricos. Embora o enjoo não seja exclusivo desses veículos, características como a resposta rápida do motor e a frenagem regenerativa podem intensificar os sintomas em pessoas predispostas.

A assessora de imprensa Rowena Romagnoli passou a relacionar o mal-estar aos veículos elétricos depois de perceber que costumava sentir enjoo durante viagens em carros de aplicativo. Segundo ela, os sintomas começam rapidamente e pioram conforme o trajeto avança.

“Notei uma frequência de enjoo e mal-estar depois de utilizar carros de aplicativo, mas nunca me dei conta da razão. Até que vi um meme falando sobre a sensação estranha e vontade de vomitar dentro de modelos da BYD. A partir desse momento fiz a conexão dos pontos, entendi que não era somente comigo, pesquisei e vi que é mais comum do que imaginamos”, relatou Rowena.

O desconforto também passou a influenciar as escolhas de transporte da assessora. Ela afirma que consegue tolerar trajetos de até 15 minutos. Depois desse período, a tontura e a náusea se tornam praticamente insuportáveis. Para viagens longas, prefere outros tipos de veículos quando tem essa possibilidade.

O quadro é conhecido como cinetose, ou enjoo de movimento. Ele pode ocorrer em carros convencionais, ônibus, barcos e aviões. Nos veículos elétricos, porém, algumas características da aceleração e da frenagem podem contribuir para o desconforto de passageiros suscetíveis. Isso não significa que todas as pessoas terão enjoo ou que esses automóveis sejam inadequados para viagens.

O cérebro identifica os movimentos combinando informações da visão, do sistema vestibular, localizado no ouvido interno, e da percepção corporal. Quando esses sinais não correspondem ao movimento esperado, pode surgir uma sensação de desorientação.

Segundo Sérgio Semeraro Jordy, médico especializado em Neurologia e com aperfeiçoamento em Neuroimunologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, a cinetose está relacionada à dificuldade de integrar essas informações. Os sintomas podem incluir tontura, náusea, vômito, suor frio, palidez, salivação excessiva e desconforto abdominal.

Olhar para o celular durante o trajeto pode favorecer o mal-estar. Nesse caso, os olhos se concentram em uma tela aparentemente imóvel, enquanto o ouvido interno percebe acelerações, curvas e frenagens. A diferença entre os sinais sensoriais dificulta a interpretação dos movimentos pelo cérebro. Acompanhar a estrada, a janela dianteira ou um ponto distante pode ajudar a reduzir o desconforto.

Nos carros elétricos, o motor pode entregar força rapidamente, fazendo o veículo ganhar velocidade em pouco tempo. Quando uma aceleração intensa é seguida por uma desaceleração acentuada, a sequência de movimentos pode aumentar a sensação de enjoo.

A frenagem regenerativa também pode influenciar esse processo. Dependendo da configuração do modelo, retirar o pé do acelerador faz o veículo perder velocidade. O sistema recupera parte da energia e a devolve à bateria, mas a desaceleração pode ser percebida como um novo solavanco, principalmente quando o motorista alterna rapidamente entre acelerar e soltar o pedal.

O baixo nível de ruído dos carros elétricos pode mudar a percepção dos movimentos, já que os sons e as vibrações do motor são menos evidentes. No entanto, essa influência deve ser analisada com cautela. Para Jordy, as variações rápidas entre aceleração e desaceleração têm papel mais importante no desencadeamento do enjoo.

“O carro elétrico acelera muito rápido e, quando a pessoa tira o pé do acelerador, a regeneração funciona como um freio. É como se fosse um novo solavanco”, explicou o neurologista.

A predisposição à cinetose varia entre as pessoas e pode envolver fatores genéticos. Crianças, especialmente entre seis e 12 anos, costumam ser mais vulneráveis, e mulheres relatam o problema com maior frequência. O histórico familiar também pode influenciar, embora não seja suficiente para prever quem terá sintomas.

Jordy cita ainda a enxaqueca vestibular, condição associada a tontura e alterações do equilíbrio, como um possível fator de maior propensão ao mal-estar durante deslocamentos. Ele ressalta, porém, que isso não significa que todo passageiro com enjoo tenha enxaqueca ou alguma doença neurológica.

Trajetos longos, curvas sucessivas e mudanças frequentes de velocidade também podem agravar os sintomas. Viajar sentado de costas para o sentido do movimento é outro fator que pode aumentar o desconforto, por dificultar a antecipação visual do percurso.

Para reduzir o risco de enjoo, o passageiro deve evitar o uso do celular, a leitura e a exibição de vídeos durante a viagem. Também pode acompanhar a estrada ou o horizonte. Em deslocamentos longos, fazer pausas, evitar refeições muito volumosas antes da saída e pedir ao motorista uma condução suave são medidas recomendadas pelo médico.

Rowena afirma que encontrou ajuda em uma função do iPhone chamada “Indicadores de Movimento”. O recurso exibe pontos na tela que se movimentam conforme as curvas e frenagens do veículo, com possibilidade de personalização de cor e tamanho. Segundo ela, a ferramenta ajuda quando fixa a atenção em um ponto do carro ou da rua.

A experiência individual, entretanto, não permite afirmar que o recurso terá o mesmo efeito para todos. A função também está disponível em celulares Android compatíveis, com o nome Motion Assist, ou Assistência de movimento. De acordo com o conteúdo apresentado, o recurso exige Android 17 ou superior e o Google Play Services atualizado, mas a disponibilidade pode variar conforme o aparelho e a versão do sistema.

Se o enjoo for frequente, intenso ou limitar as atividades cotidianas, a recomendação é procurar orientação médica. Em alguns casos, medicamentos podem ser considerados, mas devem ser usados com acompanhamento profissional devido aos possíveis efeitos adversos.

Alguns modelos elétricos oferecem modos de condução que alteram a resposta do acelerador e diferentes níveis de frenagem regenerativa. Quando disponíveis, esses ajustes podem tornar as mudanças de velocidade mais suaves, embora não representem necessariamente uma tecnologia desenvolvida para prevenir a cinetose.

Davi Bertoncello, fundador e diretor executivo da Tupi Mobilidade e diretor de comunicação da Associação Brasileira do Veículo Elétrico, afirma que não há dados consolidados para dimensionar a frequência das queixas entre consumidores brasileiros.

“É um tema relevante para a experiência do consumidor, mas desconheço a existência de dados consolidados que permitam afirmar que o enjoo seja uma reclamação recorrente ou uma exigência generalizada dos consumidores brasileiros às montadoras. O importante é compreender que se trata de uma questão de conforto e adaptação da experiência de condução, e não de um problema inerente à eletrificação”, declarou Bertoncello.

Segundo ele, alguns veículos vendidos no Brasil permitem regular a resposta do acelerador e a intensidade da frenagem regenerativa. Esses recursos podem suavizar as mudanças de velocidade, mas sua disponibilidade precisa ser confirmada com cada fabricante. Soluções como referências visuais, estímulos sensoriais e informações ao passageiro estão em estudo internacionalmente, sem que seja possível afirmar que estejam disponíveis comercialmente no Brasil ou que tenham eficácia comprovada.

A condução também pode contribuir para o conforto. Acelerações graduais, frenagens suaves e mudanças de direção antecipadas ajudam a evitar movimentos bruscos. Essas práticas podem ser adotadas por motoristas de aplicativo e operadores de frotas, considerando os ajustes disponíveis em cada veículo. Bertoncello esclarece que são boas práticas de condução, e não uma recomendação formal específica da associação sobre cinetose.

A frequência do problema entre passageiros brasileiros e a eficácia das diferentes soluções ainda dependem de dados e estudos realizados em condições reais. Compreender os fatores envolvidos permite buscar viagens mais confortáveis sem generalizar os efeitos para todos os passageiros ou atribuir o enjoo exclusivamente à eletrificação.

0 votos: 0 positivos, 0 negativos (0 pontos)

Deixe uma resposta
Miramontes 350×750
Notíciasletter
Receba nossas noticias
Um resumo direto no seu e-mail.
Sign In/Sign Up Pesquisar
Loading

Signing-in 3 seconds...

Signing-up 3 seconds...