O governo de Cuba considera real o risco de uma invasão da ilha pelos Estados Unidos, segundo o embaixador cubano no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo. Em entrevista à Agência Brasil, o diplomata afirmou que o país está preparado para uma eventual agressão militar.
“O povo cubano se prepara hoje para uma invasão real dos EUA. O governo e o povo cubanos não podem ignorar as pretensões dos EUA de uma invasão a Cuba. Isso é real”, declarou Palomo.
O embaixador disse ainda que Cuba tem feito um apelo à comunidade internacional e à imprensa para que não aceitem uma invasão norte-americana. “Não é possível normalizar uma agressão militar contra Cuba”, afirmou.
De acordo com o representante de Havana, a maioria da população cubana defende a soberania do país e lutaria contra uma invasão estrangeira. “Cuba tem história, tem tradição de luta. Cuba tem tradição de preparação da população para essa luta, que é uma questão que não pode ser ignorada pelos EUA”, explicou.
Desde janeiro de 2025, com o retorno de Donald Trump à Casa Branca, os Estados Unidos ampliaram a pressão sobre Cuba por meio de novas sanções. Entre as medidas está um bloqueio energético, acompanhado de ameaças a países que vendam petróleo à ilha. Segundo a matéria, a medida deixou Cuba três meses sem receber petróleo.
Em março deste ano, Trump afirmou que teria a “honra de tomar Cuba”. Em outubro, disse que os Estados Unidos iriam “cuidar de Cuba” depois de lidar com o Irã, atacado pelos EUA e por Israel em uma guerra que se arrasta desde fevereiro. Em outra declaração, o presidente norte-americano defendeu que seria possível chegar “a um acordo” com Cuba e afirmou: “Não acho que precisaremos das forças armadas”.
As medidas de pressão econômica contra Cuba vêm se intensificando mês a mês. Entre os efeitos citados estão a redução de voos internacionais para a ilha, a saída de empresas hoteleiras estrangeiras e o afastamento da operadora de cartões Visa, com impactos sobre o turismo, principal setor da economia cubana.
Em janeiro deste ano, a Casa Branca classificou Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” aos Estados Unidos. O governo norte-americano acusou a ilha de abrigar adversários dos EUA e de estar “focado em roubar informações sensíveis de segurança nacional dos Estados Unidos”.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, filho de uma família cubana, também elevou o tom contra o governo do presidente Miguel Díaz-Canel. “Faremos o possível para tomar medidas que iniciem esse processo de mudança [em Cuba]. E será um processo que não será fácil”, afirmou em uma entrevista coletiva em setembro deste ano.
Palomo classificou de “ridículas” as acusações feitas pelos Estados Unidos. “Cuba não é uma ameaça para os EUA. Um país bloqueado, pequeno e economicamente asfixiado não tem a capacidade de pôr em risco a primeira potência do mundo. Essa acusação é ridícula”, disse.
Segundo o embaixador, uma agressão militar norte-americana contra Cuba seria um genocídio, por se tratar de uma potência nuclear atacando um país pequeno localizado a 90 milhas dos Estados Unidos.
O diplomata também destacou que a posição geográfica da ilha é “complicada” para os EUA. Na avaliação dele, uma invasão poderia levar cubanos que vivem em território norte-americano a se voltar contra o governo Trump.
“Eles não têm guerras em suas fronteiras há muito tempo. Uma guerra em Cuba vai afetar toda a região. Uma guerra em Cuba pode começar, você não sabe como vai terminar”, alertou.
O endurecimento do cerco econômico faz parte de uma nova ofensiva dos Estados Unidos para derrubar o governo liderado pelo Partido Comunista, que desafia a hegemonia política de Washington na América Latina há mais de seis décadas.
O embaixador reconheceu que Cuba enfrenta problemas, como outros países, mas afirmou que o bloqueio econômico imposto pelos EUA impede o desenvolvimento da ilha. “Nós cubanos temos problemas, mas os cubanos têm o direito de resolver os próprios problemas por vontade própria. Não por uma agressão militar. Esse não é o caminho”, declarou.
Nas últimas semanas, o Departamento de Estado dos EUA aplicou uma nova sanção contra empresas de “tecnologias sensíveis” que tenham relação com Cuba. A Justiça norte-americana também decretou, neste mês, a prisão do ex-presidente cubano Raúl Castro.











