Lançado originalmente em 2000 para PlayStation 1, Tales of Eternia — também conhecido como Tales of Destiny 2 — recebeu uma versão para PSP em 2005. Agora, a Bandai Namco apresenta Tales of Eternia Remastered, com melhorias gráficas e outras novidades voltadas à modernização do RPG.
O Flow Games teve acesso ao jogo e, após muitas horas de avaliação, considerou que o remaster mantém o charme do título original, embora ainda apresente limitações em combate e poucos avanços em qualidade de vida.
A história começa quando uma personagem deixa Eternia e segue para Inferia, dois planetas praticamente alinhados, mas marcados por mitos e um passado conturbado. Nesse contexto, o jogador acompanha Reid e Farah, amigos de infância que decidem ajudar Meredy em sua jornada.
A apresentação do grupo acontece de maneira natural e divertida, especialmente porque Meredy não consegue falar o idioma do planeta para o qual foi levada. Ainda no primeiro capítulo, Keele e Rad são apresentados, cada um com sua própria personalidade e seus pontos de vista.
Também é nesse momento que surge o principal objetivo da aventura: impedir a Grand Fall, evento que pode provocar a colisão entre Eternia e Inferia. Para compreender melhor a ameaça, os personagens viajam por diferentes regiões dos dois planetas, conhecem novos aliados e descobrem mais sobre o que está acontecendo.
Segundo o Flow Games, a Bandai Namco acertou na apresentação da trama. A maior parte dos diálogos é divertida e não se prolonga além do necessário. O remaster também adiciona conversas durante os acampamentos. Embora elas não tragam informações essenciais para a história, ajudam a aproximar o jogador dos personagens e dos acontecimentos. No jogo original, esse conteúdo estava disponível apenas na versão japonesa.
Visualmente, Tales of Eternia Remastered se destaca pelos cenários em pixel art, que foram retrabalhados sem perder os elementos originais. Cidades e dungeons têm identidades bem diferentes, com uso variado de cores e NPCs distintos.
O Flow Games, porém, identificou problemas na movimentação. Em alguns momentos, pode ser difícil perceber com quais elementos é possível interagir, além de haver cenas em que os movimentos diagonais não parecem acompanhar adequadamente a ação.
O World Map em 3D também recebeu melhorias, mas ainda apresenta aparência datada em comparação com o restante do jogo. Por outro lado, a liberdade para explorá-lo é um ponto positivo. Para evitar que o jogador se perca como ocorria no título original, foram incluídos pontos no mapa e um mini-mapa que indicam o objetivo principal e as missões opcionais.
Como outros jogos da série Tales of, Tales of Eternia Remastered utiliza combates em tempo real com movimentação lateral. O sistema alterna momentos eficientes e outros que evidenciam sua idade.
O botão principal de ataque é combinado com os direcionais para executar golpes especiais. Há também um botão dedicado às magias, que depende do direcional para selecionar a habilidade desejada. A mecânica elimina a necessidade de acessar menus durante a batalha, mas nem sempre registra corretamente o comando escolhido.
O combate com Keele é considerado satisfatório pelo Flow Games, enquanto os demais personagens apresentam uma experiência menos consistente. Rad é uma exceção, por também utilizar espada e armas semelhantes às de Keele. A inteligência artificial dos companheiros, por sua vez, funciona bem, contribuindo tanto para causar dano quanto para oferecer suporte.
O jogo também apresenta um nível de desafio relevante. É necessário aprender a usar a defesa para evitar perder a vida rapidamente, além de investir em evolução e adotar estratégias específicas contra determinados chefes. O menu “Strategy” permite definir como os personagens utilizarão ataques e magias, enquanto “Formation” determina a posição de cada integrante do grupo.
Há três opções de controle: automático, semimanual e manual. O modo automático permite que o jogador não controle diretamente os personagens. O semimanual auxilia na movimentação, mas mantém o controle das magias. Já o manual oferece controle total, embora a movimentação sem assistência tenha sido considerada travada pelo Flow Games.
Outro incômodo está no limite de 15 unidades para cada item. A quantidade é suficiente para atravessar as dungeons, mas poderia ser opcional, principalmente porque o jogo tem trechos difíceis e nem sempre oferece pontos para comprar suprimentos.
Nessas situações, a mecânica de culinária pode ajudar. Presente em outros títulos da série, ela não é obrigatória para avançar, mas oferece utilidade a quem explora os ambientes e libera receitas ao longo da jornada.
O remaster ainda inclui opções para ajustar a experiência. É possível, por exemplo, dobrar a quantidade de ouro obtida, aumentar o dano causado e recebido ou evitar e desativar os encontros aleatórios.
Na avaliação do Flow Games, Tales of Eternia Remastered é um bom JRPG, especialmente para quem aprecia mecânicas clássicas. A pixel art continua marcante, e a história combina leveza e elaboração de forma encantadora.
A ausência de legendas em português do Brasil, assim como a falta de novidades e melhorias mais amplas na qualidade de vida, pesa contra o jogo. Embora a manutenção do combate original seja compreensível, ela também resulta em momentos de frustração.
Mesmo com essas limitações, Tales of Eternia Remastered pode ser uma opção interessante tanto para quem já conhecia o título quanto para jogadores que ainda não tiveram contato com ele. O jogo foi cedido pela Bandai Namco ao Flow Games para a realização da análise.











