Gelo e turbulência são investigados após queda de Learjet que matou nove nos EUA
Foto original adaptada visualmente por IA.
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Gelo e turbulência são investigados após queda de Learjet que matou nove nos EUA

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Um jato particular Learjet caiu no domingo nos arredores de Palm Beach, na Flórida, durante um voo do Texas para as Bahamas. O acidente matou nove pessoas. Investigadores avaliam se o gelo e as condições meteorológicas contribuíram para a queda, mas a causa ainda não foi determinada.

A aeronave atravessava uma área de tempestade a 35 mil pés de altitude quando as condições adversas foram relatadas. Especialistas consideram que o acúmulo de gelo nas asas pode ter comprometido a aerodinâmica e dificultado o controle do avião.

Por volta das 12h48, no horário local — 14h48 em Brasília —, o jato bimotor fabricado pela Bombardier entrou em uma célula de tempestade. Em comunicação com o Centro de Controle de Tráfego Aéreo de Miami, a copilota Nathalia Filgueiras, de 20 anos, informou a presença de gelo claro leve e turbulência moderada.

Segundo Robert E. Joslin, professor de engenharia aeroespacial da Embry-Riddle Aeronautical University, afirmou ao The New York Times que a umidade em grandes altitudes pode provocar o congelamento da água na aeronave. De acordo com o Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), uma camada de apenas um quarto de polegada de gelo na borda da asa pode causar uma perda repentina de controle.

O gelo também pode afetar motores, estrutura e instrumentos de voo, dificultando a manutenção da trajetória, da velocidade e da altitude. Para Daniel Bubb, ex-piloto e professor da Universidade de Nevada, em Las Vegas, as comunicações da tripulação indicam que as condições pioraram durante a travessia da tempestade. “Parece que o avião congelou quando atravessou a célula”, afirmou ao New York Times.

O Learjet 60 conta com três sistemas de proteção contra o acúmulo de gelo: aquecedores elétricos nas bordas dianteiras das asas e dos estabilizadores horizontais; estruturas infláveis de borracha, que se expandem para quebrar o gelo; e a circulação de gases quentes do escapamento sobre as asas. Esses mecanismos dependem do acionamento pelos pilotos.

Mike McCormick, ex-diretor de controle de tráfego aéreo da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), afirmou que a investigação deverá verificar se a tripulação sabia que entraria em uma área favorável à formação de gelo e se ativou os sistemas de proteção.

Outra hipótese envolve a reação dos pilotos às condições encontradas. Gregory A. Feith, ex-investigador do NTSB, disse que a aeronave pode ter enfrentado gelo claro, formado por gotículas de água suspensas que se espalham por uma área maior da superfície do avião. Para ele, a tripulação pode ter subestimado os efeitos do congelamento sobre os controles de voo.

Feith também levantou a possibilidade de que uma tentativa de subir para escapar da turbulência tenha provocado uma inclinação brusca e levado ao chamado tailplane stall, uma perda de sustentação no estabilizador horizontal.

A intensidade da turbulência é outro fator analisado. Nas comunicações com o controle aéreo, Nathalia relatou variações de altitude entre 600 e 700 pés durante a passagem pela tempestade. O piloto Patrick Smith considerou o deslocamento significativo e avaliou que os estabilizadores horizontais podem ter sido arrancados por uma turbulência excepcionalmente forte ou por uma reação inadequada da tripulação.

Imagens divulgadas nas redes sociais levantaram questionamentos sobre uma possível ausência dessas estruturas pouco antes do impacto. Na segunda-feira, Tom Chapman, integrante do NTSB, afirmou que havia indícios de que o avião estava se desintegrando antes de atingir o solo.

A investigação ainda não confirmou se houve falha estrutural nem determinou a participação de cada fator no acidente. Feith comparou o caso à queda do voo 4184 da American Eagle, investigada por ele em 1994, em Roselawn, no estado de Indiana. Na ocasião, 68 pessoas morreram.

Para Daniel Bubb, o acidente reforça uma orientação ensinada na formação de pilotos: evitar atravessar tempestades, pois a intensidade dessas condições meteorológicas pode ser difícil de prever.

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