Um novo modelo brasileiro de inteligência artificial está revolucionando a proteção da biodiversidade marinha. Desenvolvido pela equipe do Departamento de Engenharia Elétrica da PUC-Rio, essa tecnologia visa preservar ecossistemas ameaçados nas profundezas do oceano, especialmente na costa brasileira, onde a extração de gás e petróleo coloca em risco a vida marinha.
O projeto, que conta com a participação dos pesquisadores Vitor Sousa, Manoela Kohler e Marco Aurélio Pacheco, utiliza um software alimentado por IA para mapear e identificar áreas com algas calcárias. Essas algas desempenham um papel crucial nos recifes marinhos, servindo como habitat para diversas espécies e participando de processos químicos essenciais, como o armazenamento de carbono.
A importância das algas calcárias
As algas calcárias são vitais para a saúde dos ecossistemas marinhos. Sua estrutura rígida oferece abrigo a várias espécies e contribui para a formação de recifes. Contudo, a profundidade das áreas onde essas algas se encontram dificulta a observação e a identificação, tornando a proteção desses ecossistemas um desafio constante.
Tradicionalmente, o monitoramento é feito por meio de veículos operados remotamente, que capturam imagens do fundo do mar. No entanto, essas imagens podem ser ruidosas e imprecisas, dificultando a análise e o mapeamento das algas. O novo modelo de IA desenvolvido pela PUC-Rio promete melhorar essa situação ao aprender padrões diretamente dos dados, minimizando a interferência humana.
Utilizando técnicas de aprendizagem autossupervisionada, o modelo é capaz de distinguir semelhanças e diferenças entre os dados analisados. Isso resulta em um reconhecimento mais preciso dos padrões, mesmo quando os dados são incertos. Além disso, a equipe atribuiu pesos aos rótulos de reconhecimento, permitindo que o sistema trate imagens com maior chance de erro com mais cautela.
Os testes realizados mostraram um aumento na precisão das análises, com um acréscimo de 3% na precisão geral e 1,6% especificamente para as algas calcárias. Embora esses números possam parecer modestos, os pesquisadores destacam que essa melhoria é significativa em aplicações ambientais que exigem alta precisão.
O avanço na utilização de inteligência artificial para a proteção da biodiversidade marinha é um exemplo claro de como a tecnologia pode ser aliada na preservação do meio ambiente. À medida que o Brasil enfrenta desafios relacionados à exploração de recursos naturais, inovações como essa se tornam essenciais para garantir a saúde dos ecossistemas marinhos e a sustentabilidade do planeta.











