O café arábica acumulou queda de 5,7% na Bolsa de Nova York entre 29 de outubro e 5 de novembro. O contrato março de 2027 passou de 285,45 para 269,25 centavos de dólar por libra-peso, atingindo o menor nível em cerca de um mês e meio, segundo balanço da Safras & Mercado.
A retração foi influenciada pela percepção de maior oferta global, pela valorização do dólar diante do real e pela expectativa de recomposição dos estoques certificados em Nova York. O Brasil manteve ritmo elevado de embarques no segundo semestre de 2026, e as exportações de outubro podem superar 5 milhões de sacas, conforme avaliação ainda sujeita à consolidação dos dados.
Os embarques de robusta do Vietnã também contribuíram para a percepção de melhora no abastecimento internacional. No mercado brasileiro, porém, o câmbio e a oferta controlada pelos produtores ajudaram a sustentar as cotações do arábica.
De acordo com Gil Barabach, analista da Safras & Mercado, a transferência de posições do contrato dezembro para vencimentos seguintes também influenciou os negócios em Nova York. Com a proximidade do vencimento de opções e do período de notificação de entregas, o contrato março passou a concentrar a atenção dos operadores.
Na Bolsa de Londres, o robusta teve desempenho diferente. O contrato janeiro de 2027 subiu 2% no mesmo intervalo, favorecido por movimentos técnicos, como a recompra de posições vendidas, e por preocupações sobre possíveis efeitos do El Niño nos países produtores. Apesar da expectativa de entrada da safra vietnamita, a disponibilidade de robusta no curto prazo ainda é considerada restrita na análise.
As chuvas registradas até o momento favoreceram as floradas e o pegamento nas regiões cafeeiras brasileiras. Ainda assim, permanecem dúvidas sobre a uniformidade da maturação, a produtividade e a qualidade da safra de 2027. Para novembro e dezembro, a preocupação é com a possibilidade de chuvas irregulares e temperaturas elevadas associadas ao El Niño.
No mercado interno, compradores e vendedores adotaram postura cautelosa. A liberação controlada de lotes pelos produtores contribuiu para manter os preços do arábica, mesmo com a queda em Nova York. O dólar comercial acumulou alta de 1,9% entre 29 de outubro e 5 de novembro.
No Sul de Minas Gerais, o arábica bebida boa permaneceu em R$ 1.650 por saca, na base de compra. Em Vitória, no Espírito Santo, o conilon tipo 7 subiu de R$ 960 para R$ 975 por saca, avanço de aproximadamente 1,6%.
Segundo a análise da Safras & Mercado, o fluxo das exportações, os estoques certificados e as condições climáticas nas regiões produtoras devem continuar orientando o mercado nas próximas negociações.
Fonte: Portal do Agronegócio.











