Um grupo de conselheiros do Santos divulgou, nesta quinta-feira, uma nota com questionamentos sobre a condução da reforma estatutária do clube. O documento aponta possíveis irregularidades na consolidação do texto e contesta os prazos para a Assembleia Geral de Sócios, prevista para 8 de novembro.
Entre as mudanças em discussão está a possibilidade de o Santos negociar até 80% das ações de uma eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF). A manifestação foi publicada nas redes sociais e assinada por integrantes do Conselho Deliberativo.
Segundo os conselheiros, há informações de que a proposta de reforma já teria sido aprovada pelo plenário, embora as emendas votadas ainda não tenham sido reunidas em uma versão definitiva para conferência dos integrantes do conselho.
“Recebemos essas informações com perplexidade, pois as emendas aprovadas não foram consolidadas em um texto final submetido à conferência dos conselheiros e à aprovação do plenário do Conselho Deliberativo”, diz um trecho da nota.
Os signatários também afirmam ter identificado inconsistências na versão apresentada pela Comissão de Estatuto. Na avaliação do grupo, uma eventual aprovação sem a conclusão dessa etapa poderia comprometer a regularidade do processo.
Outro ponto questionado é o calendário previsto para a votação dos associados. De acordo com o comunicado, durante a primeira sessão de discussão da reforma, o presidente do Conselho Deliberativo teria garantido a leitura integral do texto consolidado antes da aprovação final.
Já na última reunião, após a votação das emendas, teria sido informado que os conselheiros teriam 15 dias para avaliar o documento. Depois disso, o texto seria submetido a uma reunião extraordinária para consolidação e aprovação.
Os autores da nota argumentam que a convocação da assembleia para 8 de novembro poderia desrespeitar os prazos previstos nas normas internas do clube. O grupo cita o artigo 163 do Regimento Interno, que trata do prazo para convocação da Assembleia Geral após a última reunião do Conselho Deliberativo.
Também são mencionados o artigo 26 do Estatuto Social e o artigo 6º do Regimento Interno, que, segundo os signatários, estabelecem antecedência mínima de 30 dias para a convocação destinada à reforma estatutária.
“Não seria admissível que o rito e a deliberação — registrada em ata — sejam atropelados”, afirma o documento. Ao final, os conselheiros cobram transparência e dizem que não aceitarão eventuais irregularidades na tramitação das alterações.
Uma das principais propostas da reforma é ampliar de 49% para até 80% o percentual de ações que o clube poderia negociar em uma eventual SAF. A mudança é considerada fundamental para o avanço das conversas com a SDC Sports, grupo norte-americano interessado em investir no futebol do Santos.
As tratativas envolvem uma proposta preliminar de aproximadamente R$ 2 bilhões, sendo R$ 1 bilhão em investimentos e outros R$ 1 bilhão relacionados às dívidas do clube. A negociação, contudo, ainda não representa uma venda definitiva.
O Conselho Deliberativo discutiu as alterações estatutárias ao longo dos últimos meses, em reuniões realizadas entre maio e setembro. Além das regras relacionadas à SAF, a reforma prevê mudanças na estrutura administrativa, incluindo a proposta de extinção do Comitê de Gestão.
A previsão divulgada é que os associados votem as alterações em 8 de novembro. Os questionamentos apresentados, porém, colocam em discussão o cumprimento das etapas internas anteriores à assembleia.
Até o momento, a manifestação representa a posição do grupo que assinou o documento e não constitui uma decisão que invalide a reforma ou suspenda a votação.











