O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com comportamentos diferentes entre as variedades. O feijão carioca registrou baixa liquidez e pressão sobre os preços nas regiões produtoras, enquanto o preto alcançou R$ 330 por saca CIF São Paulo nos melhores padrões, impulsionado pela menor disponibilidade.
Segundo Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, a cautela dos empacotadores mantém limitadas as compras de carioca. No caso do feijão preto, a redução dos estoques fortalece os vendedores, mas a continuidade das altas dependerá do escoamento da produção e da capacidade de repassar os custos ao atacado e ao varejo.
Os negócios com feijão carioca extra ocorreram principalmente fora da Bolsa, entre R$ 355 e R$ 360 por saca CIF São Paulo, em operações à vista e a prazo. A flexibilização das condições de pagamento tem sido usada para viabilizar as vendas sem reduções expressivas nas cotações.
O recebimento de mercadorias adquiridas anteriormente também reduziu a necessidade de reposição dos empacotadores, em um cenário de vendas lentas no atacado e no varejo. Os melhores padrões continuam encontrando resistência dos vendedores a descontos. Já os lotes com manchas, grãos brotados e bandinhas tiveram abatimentos de R$ 5 a R$ 10 por saca, relacionados à qualidade, sem configurar uma queda generalizada.
Nas regiões produtoras, as referências FOB do feijão carioca chegaram a R$ 310 por saca em Goiás, ficaram em R$ 290 no Mato Grosso e alcançaram R$ 340 no interior de São Paulo.
Oliveira afirma que os lotes comerciais enfrentam maior pressão, enquanto os produtos superiores mantêm referências mais firmes. A entrada inicial da nova safra paulista ainda é limitada e apresenta problemas de qualidade associados às chuvas, não trazendo alívio imediato para a oferta de feijão de padrão superior.
Para as próximas semanas, o analista projeta a continuidade de compras seletivas, com maior diferenciação conforme a cor, a aparência e os defeitos dos grãos. “A recuperação dependerá principalmente da melhora das vendas dos empacotadores e da retomada da reposição”, avalia.
No mercado de feijão preto, a redução dos estoques remanescentes da safra anterior, especialmente no Paraná, sustentou os preços. As alternativas de abastecimento em Minas Gerais e Goiás também foram consideradas insuficientes.
Depois de meses de estabilidade, os negócios com os melhores padrões avançaram gradualmente de R$ 300 para R$ 330 por saca CIF São Paulo. Na Bolsa, o produto beneficiado atingiu R$ 330 por saca, enquanto a referência do granel ficou em R$ 320. Os padrões comerciais foram indicados entre R$ 270 e R$ 300 por saca, conforme a qualidade e a classificação.
A valorização, porém, não ocorreu de forma uniforme entre os estados. No interior de São Paulo, foram registradas indicações de negócios pontuais de até R$ 315 por saca FOB para o extra tipo 1. Os valores ainda não têm confirmação suficiente para formar uma referência consolidada.
Em Santa Catarina, as indicações recuaram para até R$ 292 por saca, devolvendo parte dos ganhos anteriores. No Paraná, houve relatos isolados de operações a R$ 290 por saca. “A divergência regional exige cautela, pois a valorização paulista não representa necessariamente um movimento uniforme”, ressalta Oliveira.
O analista também informou que não foram apresentados novos dados de exportação que permitam relacionar o movimento à demanda externa.
No curto prazo, a menor disponibilidade de feijão preto antigo continua favorecendo os vendedores. Por outro lado, o aumento do custo de reposição pressiona os empacotadores, enquanto a resistência dos consumidores pode espaçar as compras e limitar novas altas.
No Paraná, o plantio da primeira safra 2026/27 atingiu aproximadamente 85% da área estimada, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral). O avanço ajuda a acompanhar a futura recomposição da oferta, mas ainda não permite estimar o volume final da produção.
De acordo com Oliveira, a sustentação dos preços dependerá da confirmação dos negócios nas regiões produtoras, da qualidade dos novos lotes e do ritmo de comercialização do feijão beneficiado.
Fonte: Portal do Agronegócio.











