O confronto entre Uberlândia Esporte Clube (UEC) e Mamoré, pela semifinal do Campeonato Mineiro Sub-20 da 2ª Divisão, terminou com 51 expulsões e uma briga generalizada no Parque do Sabiá, em Uberlândia. A partida foi disputada no domingo (1º) e acabou com vitória do Mamoré por 3 a 1.
De acordo com a súmula oficial da Federação Mineira de Futebol (FMF), 43 jogadores foram expulsos. Quatro receberam cartão vermelho durante a partida e outros 39 foram punidos após o encerramento, em razão da confusão. Também foram expulsos oito integrantes das comissões técnicas das duas equipes.
Entre os atletas, 22 expulsões foram do Uberlândia e 21 do Mamoré. Após o fim do jogo, foram expulsos 20 jogadores do time uberlandense e 19 da equipe de Patos de Minas.
A confusão começou durante a comemoração do terceiro gol do Mamoré, marcado no último lance da partida. Segundo a súmula, o jogador Davi Fernandes fez gestos provocativos em direção ao banco de reservas do Uberlândia e proferiu xingamentos. Na sequência, atletas das duas equipes trocaram socos e pontapés.
O árbitro Fernando Patrick registrou que não foi possível apresentar individualmente os cartões vermelhos nem realizar o protocolo normal de encerramento devido ao tumulto. O preparador de goleiros do Uberlândia, Paulo Sérgio Dias dos Santos, também foi expulso por invadir o campo, empurrar um jogador do Mamoré e iniciar a confusão.
A partida já havia sido paralisada por aproximadamente 40 minutos no segundo tempo, após a expulsão de Luike Bispo dos Santos, do Uberlândia. Ele recebeu o segundo cartão amarelo por atingir um adversário com os braços.
Conforme o relato da arbitragem, dirigentes do Uberlândia invadiram o campo e pressionaram os árbitros para que a decisão fosse revista. André Luiz Nascimento, gerente de futebol de base, e Junior Caetano, coordenador de base, teriam feito ameaças à equipe de arbitragem, afirmando: “Vocês não vão sair daqui hoje, vocês acham que vão conseguir sair da cidade, vamos pegar vocês, vieram aqui pra f* a gente!”.
A súmula também atribui ameaças de agressão física a Willer Francisco Silva, gerente de futebol do clube. Segundo o documento, ele teria dito: “Vou te socar, você não vai sair daqui. Quero ver se você vai sair escoltado. Vem pra mão, vou pegar você lá fora, vai ser só eu e você, filho da p***, vontade de te matar, seu m..”. O árbitro relatou ainda que o dirigente fez gestos simulando roubo em direção à equipe de arbitragem.
Fábio Mineiro, CEO do Uberlândia, também é citado na súmula. Segundo o árbitro, ele teria ameaçado impedir que o profissional continuasse trabalhando e afirmou que faria de tudo para que ele não apitasse mais.
O documento informa ainda que seis gandulas teriam participado das agressões, com socos, pontapés e arremesso de objetos contra jogadores e integrantes da comissão técnica do Mamoré. Ainda segundo o relato, Willer Francisco Silva teria corrido em direção aos atletas visitantes quando eles seguiam para o vestiário e chutado jogadores. Depois, teria arremessado um cooler de água, a bolsa do massagista e outros materiais da equipe em uma vala do estádio.
O vestiário utilizado pelo Mamoré ficou parcialmente destruído após a partida. Segundo a Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), o estádio estava sob responsabilidade do UEC, conforme termo de cessão. Por isso, as despesas relacionadas aos danos são de responsabilidade do mandante.
A súmula também registra que foi feito um boletim de ocorrência por causa das ameaças atribuídas a Willer Francisco Silva. O documento menciona ainda uma denúncia de depredação do vestiário do Mamoré, informação repassada à arbitragem pelo diretor de futebol do Uberlândia, Bernardo Lage. O árbitro ressaltou, porém, que nenhum boletim sobre a suposta depredação havia sido apresentado até a elaboração da súmula.
O número de expulsões pode colocar o jogo entre os recordes mundiais da modalidade. Conforme apuração do Paranaíba Mais, o maior número registrado até então teria ocorrido em 2011, em uma partida da quinta divisão do Campeonato Argentino, com 36 expulsões. No Brasil, o recorde citado é do clássico entre Cruzeiro e Atlético-MG, disputado em 8 de março de 2026, na final do Campeonato Mineiro, com 23 expulsões.
Procurado pelo Paranaíba Mais, o Uberlândia informou que dará esclarecimentos sobre o caso somente na quarta-feira (3), em coletiva de imprensa. O presidente do Mamoré, Marcelo Reis, afirmou que o clube pediu a exclusão do UEC da competição.
A reportagem também procurou a FMF e a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Até o momento, não houve retorno. Vídeos registrados por torcedores e obtidos pelo Paranaíba Mais não mostram policiamento no interior do estádio durante a briga.











