
A prisão da Miss Uberlândia 2025 durante uma megaoperação da Polícia Federal revelou um esquema criminoso de grande alcance, envolvendo tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e movimentações milionárias em diferentes estados do país.
A modelo Sara Monteiro, de 36 anos, eleita Miss Universe Uberlândia 2025, foi presa na última quarta-feira (15) durante a chamada Operação Luxury, deflagrada pela Polícia Federal em conjunto com forças de segurança de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A ação teve como objetivo desarticular uma organização criminosa estruturada que atuava no tráfico interestadual de drogas e na ocultação de recursos ilícitos.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva, cinco de prisão temporária e 39 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 61 milhões em bens e valores ligados ao grupo, além da apreensão de veículos, celulares, armas e outros materiais utilizados na operação.
As investigações tiveram início em abril de 2025, após a apreensão de cerca de 1,1 tonelada de maconha na cidade de Frutal (MG). A partir desse caso, a Polícia Federal identificou uma rede criminosa mais ampla, responsável por movimentar cerca de 5,9 toneladas de drogas ao longo do período investigado, com rotas que passavam por cidades do Triângulo Mineiro, interior de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Segundo a apuração das autoridades, Sara Monteiro teria atuação no núcleo financeiro da organização criminosa. Ela é apontada como beneficiária direta dos recursos provenientes do tráfico e suspeita de participar da lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada e movimentações incompatíveis com sua renda declarada.
Ainda de acordo com as investigações, a miss seria esposa de um dos líderes do grupo, que segue foragido. O esquema utilizava pessoas interpostas, negócios no ramo de estética e vestuário, além de propriedades rurais, como forma de ocultar a origem ilícita do dinheiro e dar aparência de legalidade às atividades.
A Polícia Federal também identificou que parte da estrutura criminosa operava a partir de Uberlândia e região, com apoio logístico para transporte e distribuição de entorpecentes. Mato Grosso do Sul era apontado como um dos principais pontos de origem da droga, que era distribuída para o Triângulo Mineiro e outros centros urbanos.
Durante a operação, 24 pessoas foram presas. Sara Monteiro foi detida em São Paulo e encaminhada para a Superintendência da Polícia Federal. Ela deve responder por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
O caso chama atenção pela ligação entre o universo dos concursos de beleza e uma organização criminosa de grande porte, evidenciando o uso de estruturas empresariais e da imagem pública como possíveis ferramentas para disfarçar atividades ilegais. As investigações seguem em andamento e a Polícia Federal não descarta novas prisões nos próximos dias.