VP da Leapmotor confirma REEV Flex e mais novidades

A Leapmotor deixou claro que sua operação brasileira está apenas no começo. Em entrevista ao Podcast do Motor1.com, Felipe Daemon, Vice-Presidente da Leapmotor América do Sul, detalhou os próximos passos da fabricante chinesa no país, falou sobre o lançamento do novo Leapmotor B10 e confirmou avanços importantes envolvendo produção local, expansão da rede e a chegada da tecnologia REEV Flex.

A conversa também ajuda a entender por que a Leapmotor se tornou uma das marcas chinesas mais observadas do mercado brasileiro. Diferentemente de rivais que ainda estruturam operação, rede e pós-venda, a fabricante atua em parceria com a Stellantis, grupo que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën e Ram. Na prática, isso significa acesso imediato a conhecimento industrial, engenharia local e capilaridade comercial.



Leapmotor B10 – lançamento (BR)

Foto de: Leapmotor

O segundo produto da Leapmotor no Brasil será o B10, SUV elétrico posicionado abaixo do Leapmotor C10. Segundo Daemon, o modelo chega com proposta agressiva de preço e forte apelo tecnológico, mirando justamente a faixa onde hoje atuam SUVs compactos turbo flex e elétricos de entrada.

Durante o podcast, o executivo reforçou que o B10 mostra como o mercado mudou rapidamente. Há poucos anos, seria improvável imaginar um SUV elétrico desse porte, recheado de tecnologia e competitivo em preço diante de modelos a combustão. Hoje, isso já é realidade.

Outro ponto destacado foi o acerto dinâmico do carro para o Brasil. A Leapmotor utiliza estrutura de engenharia da Stellantis no país para calibração de suspensão, rodagem e adaptação às condições locais. É um detalhe que pode parecer secundário na ficha técnica, mas costuma fazer enorme diferença na experiência real ao volante.



Teste Leapmotor C10 REEV (BR)

Foto de: Motor1 Brasil

Um dos temas centrais da entrevista foi a tecnologia REEV, sigla para veículo elétrico de autonomia estendida. No sistema usado pela Leapmotor, o carro roda sempre com motor elétrico, enquanto o motor a combustão atua apenas como gerador de energia para recarregar a bateria.

Hoje, a marca já oferece essa solução no C10 REEV. Segundo Felipe Daemon, o próximo passo será ainda mais relevante para o mercado brasileiro: a chegada da versão Flex, capaz de operar com etanol e gasolina.

A combinação pode ser estratégica. O consumidor mantém experiência típica de carro elétrico, com silêncio e torque imediato, mas sem depender exclusivamente de infraestrutura de recarga. Ao mesmo tempo, adiciona a flexibilidade do etanol, combustível amplamente difundido no Brasil.

Outro ponto confirmado no podcast é a produção nacional de modelos Leapmotor em Pernambuco, dentro da estrutura industrial da Stellantis. O executivo afirmou que os planos seguem avançando e que a nacionalização envolverá justamente produtos com tecnologia eletrificada.

Mais do que reduzir custos, fabricar localmente tende a acelerar respostas ao mercado brasileiro, melhorar oferta de peças e ampliar competitividade comercial. Para uma marca em fase inicial de consolidação, esse movimento pode ser decisivo.

A Leapmotor começou a operação brasileira com 36 concessionárias e pretende encerrar o ano com 70 pontos de venda. A expansão mostra que a marca trabalha em ritmo acelerado para ganhar cobertura nacional e transmitir segurança ao consumidor.

No segmento de veículos eletrificados, rede física e pós-venda continuam sendo fatores determinantes. Muitos produtos chamam atenção pela tecnologia, mas perdem força quando o comprador pensa em manutenção, peças e revenda. É justamente nesse ponto que a Leapmotor tenta usar a estrutura Stellantis como diferencial competitivo.

Daemon também indicou que a marca prepara novos produtos para o Brasil. O já confirmado Leapmotor C16 será um dos próximos passos, ampliando a gama acima do C10. Além disso, outros modelos mostrados globalmente seguem em análise, como sedãs e SUVs adicionais.

A estratégia, ao que tudo indica, não passa por inundar o mercado com dezenas de carros rapidamente. O foco está em preencher segmentos relevantes com produtos competitivos e crescimento sustentável.

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