
A candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) tem se mostrado cada vez mais viável dentro do atual contexto político. Isso é o que mostra a pesquisa Genial/Quaest que, por um lado, aponta vantagem de Lula no primeiro turno, e de outro coloca o presidente e o filho do ex-presidente empatados tecnicamente em um eventual segundo turno.
Essa é a avaliação de Tathiana Chicarino, cientista política e professora da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato. “Flávio Bolsonaro tem um partido bastante relevante na Câmara dos Deputados, que tem muitos parlamentares, que tem financiamento, fundo partidário. Vai ser uma campanha com recursos. É um candidato que está não apenas no bolsonarismo, mas é parte do clã bolsonarista. O bolsonarismo não é apenas um partido político, a gente tem diferentes interpretações sobre isso. É um partido político, tem presença digital e é capilarizado na sociedade”, avalia.
Chicarino destaca, por outro lado, que, Lula, apesar de ser obviamente o candidato da esquerda, ainda não começou a campanha. “A gente está falando do mês de abril. Claro que há uma consolidação, mas a campanha de fato não começou. Isso quer dizer que muitas mudanças podem acontecer daqui até a eleição”, afirma.
Para a cientista política, existem desafios a serem encarados por Lula no caminho da reeleição e um deles é o índice de reprovação. “É preciso entender o momento de compreender sobre o que é a política e isso tem a ver com nossa sociabilidade digital. Houve um tempo em que os formadores de opinião eram muito importantes, e até seguem sendo, mas houve um tempo em que os meios de comunicação de massa eram importantes. A gente está vivendo um momento em que o paradigma digital é diferente, mediado pelas plataformas digitais e isso acaba formando opinião. Isso tudo precisa ser considerado”, explica.
Nesse sentido, continua Chicarino, a reprovação de Lula pode estar ligada a esse contexto e não necessariamente a uma avaliação das políticas públicas e entregas do governo. “Não é simples. A conquista em termos de política pública não necessariamente vai levar a uma maior popularidade ou a uma avaliação positiva. E menos ainda essa causalidade em termos de voto”, pontua.
A cientista política também destaca que algumas das políticas das bandeiras de sucesso de Lula, como o fim da escala 6×1 e as políticas para solucionar o endividamento das famílias, podem ser usadas em favor da reeleição, mas isso precisa ser muito bem trabalho. No curto prazo, Chicaino não acredita que isso surta efeito. “A personalização é exacerbada nas redes e isso precisa ser passado de forma estratégica nas redes. É preciso controlar esse discurso. Então isso vai depender das estratégias adotadas. Se isso ficar evidente para as pessoas, que isso tem um ganho para as pessoas, para os eleitores, pode funcionar. Caso isso fique difuso, não”, conclui.
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