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Produção de borracha natural gera trabalho e movimenta a economia no Triângulo Mineiro
Foto original adaptada visualmente por IA.
Uberlândia

Produção de borracha natural gera trabalho e movimenta a economia no Triângulo Mineiro

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Presente em pneus, materiais hospitalares e outros produtos do dia a dia, a borracha natural tem origem no campo. Antes de chegar à indústria, a matéria-prima é obtida a partir do cultivo de seringueiras e da extração do látex. Em uma fazenda próxima a Indianópolis, no Triângulo Mineiro, a atividade envolve planejamento, acompanhamento constante e mão de obra especializada.

Administrador da propriedade há mais de 20 anos, Wesley Luiz Resende acompanha a produção, que ocupa 200 hectares e reúne aproximadamente 70 mil árvores em fase produtiva. Segundo ele, mesmo com os avanços tecnológicos no agronegócio, a extração ainda depende diretamente do trabalho humano.

A retirada do látex, conhecida como sangria, consiste em fazer um corte controlado na casca do tronco da seringueira. O procedimento é realizado pelo sangrador, que abre um caminho para o líquido escorrer até um recipiente sem atingir a madeira da árvore.

A técnica exige precisão. Um corte superficial pode não alcançar a “veia” da planta e impedir a saída do látex. Já um corte profundo pode ferir a árvore e comprometer sua capacidade de produção. Wesley afirma que 90% dos procedimentos da cultura dependem do trabalho do sangrador e destaca a importância do controle da qualidade da sangria para preservar a vida das seringueiras.

Fábio Vicente Modesto, que trabalha na propriedade, explica que o corte precisa ser adaptado às características de cada árvore. O profissional também deve observar as condições do painel de sangria e ajustar o procedimento quando há lesões na casca. Com manejo adequado, a seringueira pode produzir por várias décadas.

O engenheiro florestal José Geraldo Magest afirma que existem diferentes métodos de extração do látex, mas alerta que a aplicação incorreta das técnicas pode levar à morte de um seringal inteiro. Ele também explica que substâncias estimulantes podem ser usadas para manter os vasos das árvores abertos e aumentar a quantidade de látex retirada. A prática, porém, depende das condições de saúde da planta, da nutrição e da ocorrência de chuvas.

Na fazenda, o trabalho é dividido por áreas, e cada sangrador fica responsável por um conjunto de árvores. Em geral, a mesma seringueira passa pelo procedimento a cada cinco dias. Depois da extração, o látex é recolhido, colocado em grandes bags e levado ao ponto de pesagem, onde é preparado para o transporte.

Os trabalhadores atuam em sistema de parceria e recebem uma parte da produção, enquanto o restante fica com o proprietário. O modelo oferece autonomia para a organização da rotina, desde que as tarefas sejam cumpridas e a qualidade da extração seja mantida.

O clima também interfere diretamente no trabalho. Quando a chuva molha o painel de sangria, o látex pode deixar de escorrer adequadamente e provocar perdas. Nessas situações, é aplicado um coagulante para preservar o material extraído. De acordo com Wesley, em cerca de 24 horas o látex pode se transformar em borracha, evitando a perda da produção.

A manutenção do seringal inclui o controle de plantas invasoras e o monitoramento de doenças e pragas. Entre os problemas registrados na região estão o oídio, causado por fungos, e o ataque de ácaros. O oídio provoca o surgimento de um pó nas folhas, prejudicando a fotossíntese. Já os ácaros fazem pequenos furos nas folhas para sugar nutrientes da planta e podem se proliferar rapidamente.

Para controlar as pragas, é feita a aplicação de enxofre na plantação de duas a três vezes por ano. A propriedade também utiliza um produto aplicado diretamente no painel de sangria para estimular a produção. O procedimento precisa respeitar os intervalos recomendados, a fim de evitar o desgaste excessivo das árvores.

O ritmo da atividade muda durante o período de troca das folhas das seringueiras. Nessa fase, a extração é interrompida para a realização de serviços de manutenção nos painéis e nos recipientes usados na coleta.

O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba têm condições favoráveis ao cultivo da seringueira, atividade que tem importância econômica para o agronegócio regional. A cultura, no entanto, exige planejamento e investimento de longo prazo, pois são necessários vários anos até o início da produção.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pelo Paranaíba Mais, Minas Gerais produziu mais de 50 mil toneladas de borracha em 2025, movimentando aproximadamente R$ 278 milhões. O estado está entre os três maiores produtores do país, e o município de Prata, no Triângulo Mineiro, lidera a produção estadual.

Após deixar a propriedade rural, o látex é encaminhado para uma usina, onde passa por etapas de beneficiamento e preparação até se transformar em borracha natural. Depois, a matéria-prima segue para a indústria e é utilizada na fabricação de diferentes produtos.

Entre os desafios enfrentados pelos produtores estão o tempo necessário para recuperar o investimento inicial, os cuidados permanentes com o seringal e as oscilações do mercado. Wesley explica que o intervalo entre o plantio da primeira árvore e a colheita do primeiro quilo de borracha é de sete a oito anos.

Para quem pretende investir na atividade, o administrador afirma que o cultivo pode ser uma alternativa de rentabilidade no futuro, inclusive para proprietários de sítios, desde que haja disposição para plantar e cuidar das árvores.

Mais informações técnicas sobre o cultivo estão reunidas no livro “Cultura da seringueira no Cerrado”, de A. V. Pereira e E. B. C. Pereira. A publicação da Embrapa apresenta tecnologias desenvolvidas ou adaptadas para diferentes etapas da produção e é destinada a produtores rurais, profissionais do agronegócio e pessoas interessadas em iniciar o cultivo.

As informações foram publicadas originalmente pelo portal Paranaíba Mais.

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