
As pessoas com traços de psicopatia são descritas como manipuladoras, rápidas em desvendar as outras pessoas e conseguem explorar qualquer fraqueza. Mas alguns estudos sugerem que esse comportamento pode ajudar uma pessoa a ter sucesso na carreira.
No entanto, em entrevista à Knowable Magazine, a professora de psicologia forense Louise Wallace sugere que “a maior parte do que as pessoas pensam sobre os psicopatas não é o que a psicopatia realmente é”, e que “não é glamoroso, não é um espetáculo”. A especialista defende que traços psicopáticos existem em todos em algum grau e não devem ser glorificados ou estigmatizados.
A psicopatia é um composto de vários traços interativos. O modelo tradicional de uma mente psicopata se concentra em uma busca agressiva por recursos sem consideração pelos outros, e a desinibição se manifesta como falta de controle dos impulsos. Pessoas com alto nível de ambas as características sentem pouca ou nenhuma empatia e acham difícil controlar suas ações, muitas vezes com consequências violentas.
Outras características psicopáticas também podem beneficiar as pessoas em certas carreiras: “No mundo corporativo, você quer alguém que possa atuar sob pressão e tomar decisões rápidas, talvez sem demonstrar altos níveis de empatia, porque precisa ser capaz de fazer escolhas implacáveis”, diz a professora universitária.
Um estudo de 2016 com funcionários de uma agência de publicidade australiana, por exemplo, descobriu que executivos seniores obtiveram pontuações mais altas do que funcionários juniores em medidas de comportamentos ligados a traços de psicopatia, como ser inicialmente charmoso, equilibrado e calmo, mas também egocêntrico, sem remorsos e sem culpa.
Em paralelo, a professora britânica montou uma escala de 54 perguntas projetada para identificar e avaliar traços de psicopatia na população em geral. Ela espera que a escala, atualmente em revisão no Journal of Personality Assessment, ajude os pesquisadores da área a avaliar a prevalência de psicopatia bem-sucedida no local de trabalho ou traços psicopáticos em pessoas em posições de poder e liderança.
Mas como é o cérebro de um psicopata? Segundo um artigo da University of Wisconsin-Madison (EUA), os psicopatas têm conexões reduzidas entre o córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC), a parte do cérebro responsável por sentimentos como empatia e culpa, e a amígdala, que faz a mediação do medo e da ansiedade.
“Essas duas estruturas no cérebro, que se acredita regularem a emoção e o comportamento social, parecem não estar se comunicando como deveriam”, concluíram os pesquisadores, à época. O estudo, que ocorreu em uma prisão de segurança média em Wisconsin, aconteceu por meio de um scanner de ressonância magnética móvel.
Anteriormente, uma pesquisa também sugeriu que psicopatas têm função cerebral reduzida na hora de tentar demonstrar empatia.
Fonte: PsyArXiv Preprints, APA PsycNet, Scientific American, University of Wisconsin-Madison