O mercado brasileiro de soja registrou queda nos preços e menor movimentação comercial ao longo de outubro de 2026. A desvalorização dos contratos na Bolsa de Chicago reduziu as referências domésticas, enquanto produtores priorizaram o plantio da safra 2026/27 e diminuíram a oferta de grãos. A alta do dólar na segunda metade do mês amenizou parte das perdas, mas não alterou a tendência de baixa nas principais praças do país.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos passou de R$ 155,50 no início do mês para cerca de R$ 153,00 no encerramento. Em Cascavel (PR), a cotação recuou de R$ 150,50 para R$ 149,00. Em Rondonópolis (MT), a queda foi de R$ 148,00 para R$ 141,00 por saca. No porto de Paranaguá (PR), o preço caiu de R$ 161,50 para R$ 160,00.
A retração atingiu mercados do interior e referências portuárias, com intensidades diferentes. Com o avanço do plantio da nova safra, muitos produtores concentraram recursos e operações nas lavouras, reduzindo a participação nas negociações do mercado físico.
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago, os contratos com vencimento em janeiro acumularam queda de 6,05% em outubro e encerraram o período cotados a US$ 12,30 por bushel. Segundo a matéria do Portal do Agronegócio, a pressão foi impulsionada pelo avanço da colheita norte-americana e pela perspectiva de uma safra recorde nos Estados Unidos.
A expectativa de maior disponibilidade mundial pesou sobre as cotações, apesar da demanda chinesa permanecer positiva. Como os preços internacionais influenciam a formação das cotações brasileiras, a queda em Chicago repercutiu diretamente no mercado doméstico.
O dólar também contribuiu para limitar as perdas. Depois de um período de valorização do real, a moeda norte-americana encerrou outubro com alta superior a 5%, em meio à volatilidade relacionada ao cenário político brasileiro. Após o primeiro turno das eleições presidenciais, o dólar chegou a ficar abaixo de R$ 5,00. Depois do segundo turno, que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, a moeda superou R$ 5,60. Na manhã de 30 de outubro, era negociada a R$ 5,43.
De acordo com levantamento da Safras & Mercado, 42,3% da área prevista para a soja 2026/27 havia sido semeada até 23 de outubro. O índice ficou acima dos 34,1% registrados no mesmo período do ano anterior e da média histórica de 41% para a época.
A consultoria projeta produção brasileira de 181,837 milhões de toneladas na temporada 2026/27, alta de 2% sobre as 178,341 milhões de toneladas estimadas para a safra anterior. A previsão também supera a estimativa anterior, de 180,089 milhões de toneladas.
A área plantada deve alcançar 49,542 milhões de hectares, crescimento de 2,1% ante os 48,543 milhões de hectares da temporada 2025/26. Já a produtividade média nacional foi revisada de 3.692 para 3.689 quilos por hectare. Assim, o aumento esperado da produção está relacionado principalmente à expansão da área cultivada.
Para os próximos meses, o mercado brasileiro deverá acompanhar o comportamento dos preços internacionais, do câmbio e da oferta e demanda. A perspectiva de uma grande safra nos Estados Unidos mantém a pressão em Chicago, enquanto o dólar mais valorizado oferece compensação parcial aos vendedores brasileiros. No mercado interno, o avanço do plantio e a menor disposição dos produtores para negociar influenciam a liquidez.
Fonte: Portal do Agronegócio, com dados da Safras & Mercado.











