A Santri, empresa de tecnologia voltada ao varejo de materiais de construção, desenvolveu dois agentes de inteligência artificial integrados ao seu sistema de gestão empresarial (ERP). Chamadas de Robson e Santina, as soluções foram criadas para facilitar o acesso a informações, apoiar a análise de indicadores e simplificar tarefas nas lojas.
A empresa atende cerca de 1.500 estabelecimentos em todo o Brasil e reúne mais de 100 mil usuários em suas ferramentas. O desenvolvimento dos agentes começou há aproximadamente dois anos e entrou em uma nova etapa em 2026, com testes realizados junto a clientes. A previsão é que as duas soluções sejam disponibilizadas para toda a base atendida pela Santri a partir de outubro.
As ferramentas têm funções diferentes. A Santina atua como uma assistente especializada no sistema, orientando os usuários na localização de funcionalidades, relatórios e procedimentos. O Robson trabalha com os dados da operação e permite consultar indicadores e obter análises sem a necessidade de acessar várias telas ou cruzar informações manualmente.
“Nosso objetivo é trazer a inteligência artificial de uma maneira muito eficiente para dentro do produto e ajudar o cliente a ser mais eficiente. A tecnologia pode acelerar análises, facilitar o acesso às informações e automatizar tarefas que hoje consomem tempo da equipe”, afirma Fábio Santri, CEO e cofundador da empresa.
Como funcionam os agentes
A Santina permite que o usuário faça perguntas sobre o funcionamento do ERP, como identificar o relatório mais adequado para uma necessidade específica ou descobrir como realizar determinada operação. A ferramenta também poderá ampliar a capacidade de oferecer respostas direcionadas às demandas e às informações de cada cliente.
O Robson foi desenvolvido para acompanhar diretamente as atividades da loja. Com o agente, o gestor pode consultar o desempenho de um estabelecimento, comparar dados de estoque e vendas, avaliar o comportamento de produtos e identificar situações que possam representar riscos para a operação.
Em vez de reunir informações manualmente em diferentes relatórios, o usuário pode solicitar análises por meio de perguntas em linguagem natural. O agente também pode enviar alertas sobre situações que exigem atenção e, quando configurado para isso, executar determinadas operações de forma autônoma.
Entre as possibilidades estão a liberação de pedidos bloqueados por condições comerciais e o ajuste de preços de produtos que permanecem sem vendas durante um período predefinido. Essas ações dependem de parâmetros e limites estabelecidos previamente pela empresa.
“Quando definimos os parâmetros e limites para o agente, ele consegue tomar decisões dentro daquilo que foi previamente estabelecido pela empresa. Isso não substitui o gestor. Ao contrário, permite que ele dedique mais tempo à gestão da equipe, ao relacionamento com os clientes e a decisões que dependem da experiência humana”, explica Márcio Oliveira, cofundador da Santri e responsável pelas áreas de desenvolvimento e inovação.
Análise de dados e apoio à gestão
O Robson foi concebido para complementar, e não substituir, ferramentas tradicionais de acompanhamento, como as plataformas de Business Intelligence (BI). Enquanto os painéis de BI continuam sendo usados para monitorar indicadores de forma contínua, o agente de IA permite investigar situações específicas e relacionar informações com mais agilidade.
Um exemplo é a avaliação de campanhas promocionais. O gestor pode solicitar uma análise do desempenho dos produtos, identificar os itens com melhores resultados e usar os dados para decidir quais mercadorias devem integrar ações futuras.
As informações também podem apoiar negociações com fornecedores, incluindo a definição de margens e a avaliação do desempenho comercial dos produtos.
Controle de acesso aos dados
Para controlar o acesso às informações, o Robson não consulta diretamente o banco de dados da empresa. Antes de chegarem à inteligência artificial, os dados passam por uma camada de pré-processamento desenvolvida pela Santri.
Segundo a companhia, essa arquitetura permite definir quais informações podem ser disponibilizadas ao agente e em que formato serão apresentadas.
“Uma das principais diferenças é justamente o fato de o Robson fazer parte do sistema. Ele sabe onde buscar a informação necessária para responder à demanda do usuário, em vez de receber dados de fora para fazer uma análise. A IA hoje é novidade, amanhã é sobrevivência”, conclui Márcio Oliveira.











