A Volkswagen pretende levar tecnologias desenvolvidas na China para mercados internacionais, incluindo a América do Sul e a África do Sul. A montadora alemã quer transformar sua operação chinesa em um centro de desenvolvimento e exportação para ampliar a competitividade global e reduzir custos.
A expansão deve começar pela América do Sul até o fim da década, com uma nova plataforma e uma arquitetura eletrônica desenvolvidas em parceria com empresas chinesas. A próxima geração de veículos destinada a mercados emergentes utilizará a Compact Main Platform e a China Electronic Architecture, criadas pelo centro de pesquisa da Volkswagen em Hefei, no leste da China.
A estratégia amplia o conceito anterior da empresa, chamado “Na China, para a China”, que priorizava produtos voltados ao público chinês. Agora, a tecnologia desenvolvida no país asiático também será utilizada em outros mercados.
“A China é um motor de inovação essencial para o Grupo Volkswagen e, cada vez mais, um centro de produtos e tecnologia para nossos mercados globais”, afirmou Oliver Blume, CEO do grupo.
A decisão ocorre em meio à tentativa da Volkswagen de recuperar espaço no mercado chinês. Fabricantes locais, como BYD e Geely, avançaram nos segmentos de veículos elétricos, software automotivo e modelos com preços competitivos. A montadora também busca obter resultados comerciais mais expressivos com parcerias firmadas com empresas como Xpeng e Horizon Robotics. Segundo a Volkswagen, o desenvolvimento local pode reduzir em até 30% o tempo necessário para criar novos produtos.
A América do Sul foi escolhida como primeiro destino internacional da nova arquitetura por ser considerada um mercado sensível a preços, no qual fabricantes chinesas já conquistaram espaço. A montadora também planeja ampliar, nos próximos anos, as exportações de veículos das marcas Volkswagen e Jetta produzidos na China para a América do Sul e a África.
Outro projeto é o VEGA, pacote tecnológico previsto para 2027 que reunirá recursos de eletrificação e condução automatizada. Entre os recursos anunciados estão a recarga de 850 volts, voltada ao carregamento rápido de veículos elétricos, e a condução autônoma de nível 3, capaz de assumir determinadas tarefas de direção. A arquitetura eletrônica também foi projetada para funcionar com diferentes plataformas e sistemas de propulsão.
A expansão poderá alcançar ainda o Sudeste Asiático e outros mercados africanos. Europa e América do Norte, por enquanto, não estão nos planos para a adoção da arquitetura chinesa. Frank Han, chefe da unidade de software CARIAD China, afirmou que a aplicação da tecnologia na Europa seria tecnicamente viável, mas dependeria de uma decisão da sede alemã, que teria de considerar fatores geopolíticos.
A estratégia acompanha um movimento mais amplo da indústria automobilística. General Motors, Hyundai e Renault também procuram utilizar tecnologias desenvolvidas na China para competir em outros países.
O mercado chinês, porém, continua desafiador para a Volkswagen. Ralf Brandstätter, chefe da operação chinesa da empresa, prevê que o segmento de automóveis de passeio do país encolha 20% neste ano, o equivalente a cerca de 4,5 milhões de veículos. A Volkswagen aposta na capacidade de desenvolvimento instalada na China para responder à concorrência e tentar recuperar terreno no próprio país, mas o resultado dependerá da aceitação dos veículos pelos consumidores.











