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Ato de estudantes da UFF em Niterói inicia mobilização pela virada de Lula
Foto original adaptada visualmente por IA.
Política

Ato de estudantes da UFF em Niterói inicia mobilização pela virada de Lula

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Um protesto convocado por estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) começou, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, uma mobilização pela reversão do resultado do primeiro turno das eleições e em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva. O ato ocorreu em 5 de outubro, um dia após a votação, sob chuva, e reuniu centenas de pessoas.

“O abalo e o espanto precisam se transformar em movimento” dizia o cartaz divulgado pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga e pela Associação Atlética Acadêmica Camillo Guerreiro, ambos do curso de Direito. A mensagem buscava expressar a preocupação dos estudantes com o resultado das urnas.

Naquele primeiro turno, o senador Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 47% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45%. Os estudantes afirmaram ver o candidato do PL como uma ameaça à educação pública. Segundo Valentina Cruz, diretora do Centro Acadêmico de Direito, uma das propostas de Flávio era retirar as universidades do Ministério da Educação e transferi-las para o Ministério da Ciência e Tecnologia, que teria menos recursos.

Valentina também relacionou a preocupação ao período do governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. Para ela, uma vitória de Flávio poderia provocar cortes em áreas como infraestrutura e assistência estudantil.

O estudante Simão Gabriel Adorno, integrante da atlética do curso de Direito, lembrou que a UFF esteve entre as primeiras universidades federais a sofrer cortes durante o primeiro mandato de Jair Bolsonaro. Na época, o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, acusou universidades de promoverem “balbúrdia”, enquanto o ex-presidente chamou universitários de “idiotas úteis” e “massa de manobra”.

Os estudantes também se posicionaram contra a anistia defendida por apoiadores de Jair Bolsonaro, que, segundo o texto, estava preso por liderar uma tentativa de golpe de Estado que culminou nos ataques à Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023. Flávio Bolsonaro havia prometido libertar o pai e subir com ele a rampa do Palácio do Planalto caso fosse eleito.

Na noite da apuração, os universitários decidiram organizar o protesto. João Paulo Armando, diretor do centro acadêmico de Direito, afirmou à Agência Brasil que a ideia inicial era realizar uma atividade interna, com estudantes, professores e representantes de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A convocação, porém, cresceu e reuniu centenas de participantes.

Durante o ato, os estudantes abriram a bandeira do Direito Antifascista, confeccionada em 2018, antes da primeira eleição de Jair Bolsonaro. João Paulo afirmou que, para os estudantes de Direito, a vantagem de Flávio era especialmente preocupante por causa de posições que, segundo ele, contrariavam direitos civis, a Constituição e a memória do período da ditadura político-empresarial-militar.

A mobilização começou na Faculdade de Direito, no bairro do Ingá, passou pela reitoria da UFF, em Icaraí, e retornou ao ponto de partida. Moradores deixaram os prédios e transeuntes se juntaram à caminhada. A adesão de estudantes de outros cursos fez com que os participantes deixassem o pátio e ocupassem as ruas.

Cauê Moraes Marins da Silva, diretor do Centro Acadêmico de Relações Internacionais Sérgio Vieira de Melo, afirmou que os estudantes viam o país e a democracia ameaçados. Ele também citou as movimentações do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e disse que os participantes queriam atuar como um ponto de resistência no Sul Global.

De acordo com Valentina, uma senhora aposentada, usando bengala, acompanhou o ato sob a chuva e afirmou que o futuro dos jovens não poderia ser entregue à extrema-direita. Também houve hostilidade: Cauê relatou que ovos foram lançados de sacadas contra os manifestantes. Segundo ele, pessoas identificadas com o campo progressista e o Partido dos Trabalhadores foram agredidas e mortas durante a eleição.

A mobilização ganhou força nos dias seguintes. Em 7 de outubro, estudantes do Rio de Janeiro fizeram outra passeata pelo centro da capital, defendendo a democracia e a educação pública de qualidade. Protestos também ocorreram em outras cidades, incluindo Brasília, onde uma multidão se reuniu na Esplanada dos Ministérios.

A sequência de atos integrou uma campanha popular pela reversão do resultado eleitoral, com ações voltadas à conquista de votos nulos e à mobilização de eleitores que não haviam comparecido às urnas. Para Isabela Casalini, estudante de desenho industrial da UFF, o protesto de 5 de outubro foi o ponto de partida para uma mobilização crescente entre os universitários.

“Hoje, estou aqui de novo para comemorar nossa vitória e informar que não deixaremos de nos posicionar nos próximos anos”, afirmou Isabela à Agência Brasil.

A historiadora Carolina Barreto, formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), mestre em Comunicação pela UFF e jornalista da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), avaliou que a participação estudantil já foi decisiva em outros momentos da história brasileira. Ela citou a atuação da União Nacional dos Estudantes (UNE) contra o nazifascismo e em defesa da criação da Petrobras, além das mobilizações pelas Diretas Já, do movimento Fora, Collor, nos anos 1990, e dos protestos de junho de 2013.

Barreto é autora do livro “Quando 2013 encontra 1968”, que compara a cobertura da imprensa sobre as manifestações de 2013 e a Marcha dos 100 mil, realizada três meses após o assassinato do estudante Edson Luís durante a ditadura.

O advogado Felipe Santa Cruz, filho de Fernando Santa Cruz, estudante de Direito da UFF e militante político desaparecido em 1974, afirmou que a mobilização demonstra o protagonismo dos universitários na luta contra o autoritarismo. Segundo ele, os estudantes da UFF e de outras partes do país foram às ruas de forma espontânea e assumiram a defesa da democracia.

“Foi um ato muito bonito”, declarou Felipe Santa Cruz, que faz doutorado na UFF e já presidiu a OAB Nacional e a seccional da entidade no Rio de Janeiro. O desaparecimento de seu pai, ocorrido quando ele tinha 2 anos, ainda é cercado por diferentes versões e não teve desfecho.

As informações são da Agência Brasil.

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