Cerca de 600 mil chips H200 da Nvidia estão armazenados em Hong Kong, à espera de autorização de Pequim para serem enviados à China continental. O governo chinês ainda não liberou importações em grande escala, apesar da demanda de empresas de tecnologia por processadores avançados de inteligência artificial.
A resistência de Pequim reflete a preocupação com a dependência de tecnologia norte-americana. Ao mesmo tempo, empresas chinesas precisam dos chips da Nvidia para atender ao aumento da demanda por capacidade computacional.
Os Estados Unidos impõem controles de exportação desde 2022 para limitar o envio de equipamentos avançados de processamento à China.
Nos últimos meses, Pequim autorizou a entrada de algumas unidades do H200. Grandes empresas chinesas de internet receberam aproximadamente 10 mil chips cada, segundo pessoas ouvidas pela Reuters. Pequenas quantidades também chegaram ao país por meio de intermediários e rotas indiretas.
O H200 não é o processador de inteligência artificial mais recente da Nvidia, mas oferece capacidades que as alternativas chinesas ainda não conseguiram igualar. O chip é especialmente útil no treinamento de modelos de IA quando combinado ao software da fabricante.
A oferta limitada está relacionada às restrições norte-americanas, que dificultam o acesso chinês a chips avançados da Nvidia e aos equipamentos necessários para fabricá-los. Com menos unidades disponíveis por canais autorizados, compradores passaram a recorrer ao mercado paralelo, onde os preços subiram.
No fim de outubro, servidores equipados com esses processadores eram oferecidos na China continental por mais de 6 milhões de yuans, cerca de R$ 4,94 milhões. O valor correspondia a um servidor com oito placas H200 e era aproximadamente três vezes maior que o preço de um ano antes.
Servidores equipados com os chips Blackwell, os mais recentes da Nvidia e também sujeitos aos controles de exportação dos Estados Unidos, eram anunciados por mais de 20 milhões de yuans, o equivalente a cerca de R$ 16,45 milhões. Os valores foram informados por uma pessoa familiarizada com o assunto. No caso do H200, o preço correspondia a aproximadamente US$ 900 mil, ou cerca de R$ 4,95 milhões.
Autoridades de Pequim sinalizaram que as empresas de tecnologia devem priorizar processadores chineses na execução de modelos de inteligência artificial.
As restrições aos chips fazem parte de uma disputa comercial mais ampla entre Estados Unidos e China. Washington havia proibido a exportação do H200 para o mercado chinês, mas o governo de Donald Trump mudou a política no ano anterior e autorizou a Nvidia a vender os processadores a clientes chineses aprovados, após negociações comerciais entre os dois países.
Em maio, a Reuters informou que os Estados Unidos haviam aprovado vendas para dez empresas chinesas, entre elas Alibaba, Tencent e ByteDance. Pequim, porém, estabeleceu suas próprias limitações às importações.
Em julho, o site The Information informou que autoridades chinesas haviam sinalizado a empresas como Alibaba, ByteDance e DeepSeek a possibilidade de comprar quantidades limitadas de H200 para treinar modelos de IA. Segundo a publicação, o total de aprovações poderia ficar abaixo de 200 mil unidades.
O governo chinês também queria que as empresas priorizassem processadores nacionais para a inferência, etapa em que os modelos de inteligência artificial executam tarefas.
A busca por alternativas não impediu novas encomendas de produtos da Nvidia. Segundo reportagem da Reuters publicada em outubro, ByteDance, Alibaba e Tencent encomendaram mais de 3 milhões de placas gráficas RTX Pro 5500.
O modelo é menos potente e está em conformidade com as regras de exportação dos Estados Unidos. O preço de tabela combinado dos pedidos superava US$ 35 bilhões.











