A produção artística, cultural e empreendedora das favelas brasileiras ocupa o centro do Rio de Janeiro a partir desta sexta-feira com a primeira edição do Festival Favela Cria. Gratuito, o evento reúne música, batalhas de rima, literatura, artes visuais e gastronomia.
A ideia do festival começou a ser construída há quatro anos, durante a pandemia, a partir de conversas entre os idealizadores e um coletivo de lideranças da cultura periférica. Segundo o ativista e empreendedor social Raull Santiago, um dos idealizadores, a proposta era criar um evento que deixasse um legado, gerasse oportunidades e mantivesse seu impacto mesmo após o encerramento.
O Favela Cria foi concebido como uma plataforma para fortalecer iniciativas já existentes, abrir espaço para novos talentos e contribuir para as carreiras dos participantes e para projetos culturais periféricos. A iniciativa também busca ampliar oportunidades de negócios e aproximar essa produção do mercado.
“O principal objetivo do Festival Favela Cria é mostrar a potência cultural, criativa, empreendedora, das favelas e aproximar essa produção do mercado”, afirmou Raull Santiago. De acordo com ele, o evento pretende ampliar a visibilidade e o acesso de artistas, produtores, empreendedores e outros profissionais das periferias a redes, contratantes, plataformas e investidores.
O ativista também destacou o objetivo de mudar a percepção sobre as favelas, mostrando que esses territórios produzem conhecimento, cultura, moda, música e gastronomia.
Para os organizadores, o principal legado do festival deve ir além dos quatro dias de programação. A expectativa é fortalecer carreiras, criar conexões, gerar oportunidades de trabalho e negócios e aproximar profissionais das favelas do mercado criativo. A intenção é que o Favela Cria tenha continuidade e se transforme em uma plataforma permanente de valorização da cultura periférica.
Raull Santiago acrescentou que a maior parte dos trabalhadores envolvidos na realização do festival é formada por profissionais das próprias favelas. Eles atuam em áreas como produção, técnica, comunicação e design, além de outras funções necessárias para a realização do evento.
Os organizadores esperam receber cerca de 60 mil pessoas. O festival segue até esta segunda-feira, na Praça Marechal Âncora, no centro do Rio de Janeiro. A realização é do Instituto Papo Reto, da Voz das Comunidades e do Instituto Pró-Bono Brasil.











