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Papa Leão XIV pede supervisão humana sobre decisões de sistemas de IA
Foto original adaptada visualmente por IA.
Inteligência Artificial

Papa Leão XIV pede supervisão humana sobre decisões de sistemas de IA

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O papa Leão XIV defendeu que os sistemas de inteligência artificial sejam “desarmados” e afirmou que decisões relacionadas à vida humana devem permanecer sob supervisão de pessoas. O pontífice também incentivou os países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) a avançarem na proibição de armas autônomas letais.

As declarações foram feitas durante o encontro “O futuro da IA: um diálogo entre o Vaticano e o mundo científico sobre os avanços e as aplicações das tecnologias inteligentes”, organizado pela Pontifícia Academia para a Vida e pelo Future of Life Institute. Segundo o Olhar Digital, Leão XIV alertou para os riscos de delegar decisões humanas a máquinas e defendeu a criação de regras internacionais para orientar o desenvolvimento da tecnologia.

O papa citou listas de alvos militares e bancos de dados de controle de fronteiras como exemplos de situações que exigem supervisão humana. Para ele, decisões que afetam a vida, a liberdade e o uso da força não podem ser tomadas sem acompanhamento eficaz, informado e responsável.

Durante o discurso, Leão XIV apresentou cinco princípios para orientar o desenvolvimento da inteligência artificial. Ele afirmou que o futuro da tecnologia depende das escolhas humanas e que cabe às pessoas orientar, modificar e, quando necessário, rejeitar suas aplicações. Essa responsabilidade, segundo o pontífice, não deve ser transferida às máquinas.

Leão XIV também criticou a possibilidade de conceder direitos ou personalidade jurídica a sistemas de IA. De acordo com o papa, essas tecnologias não têm experiências, corpo, sentimentos ou relacionamentos e não compreendem conceitos como amor, trabalho e responsabilidade. Atribuir a elas um status jurídico poderia ocultar a responsabilidade humana e deixar vítimas de eventuais danos diante de uma entidade sem rosto.

A posição está alinhada aos princípios apresentados na encíclica Magnifica Humanitas, dedicada à proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial.

Com base na defesa da supervisão humana, o papa incentivou os países que se reunirão em Genebra, em novembro, a adotar medidas concretas para proibir armas autônomas letais.

A preocupação também esteve presente em um discurso do antecessor de Leão XIV, o papa Francisco, durante o encontro do G7 em 2024. Na ocasião, Francisco classificou a inteligência artificial como uma ferramenta empolgante e assustadora e afirmou que nenhuma máquina deveria ter o poder de decidir tirar a vida de uma pessoa.

Leão XIV relacionou ainda a escolha de seu nome papal à necessidade de enfrentar os avanços tecnológicos. A referência é ao papa Leão XIII, cujo pontificado ocorreu durante um período marcado pela Revolução Industrial.

Outro princípio defendido pelo pontífice é que a inteligência artificial esteja a serviço da sociedade, e não apenas dos interesses de grupos privilegiados. Para ele, o desenvolvimento dessas tecnologias deve favorecer a solidariedade e permitir que os benefícios do progresso sejam compartilhados de forma mais ampla.

O papa também destacou a necessidade de instituições capazes de transformar princípios éticos em medidas concretas. Entre os mecanismos apontados estão padrões compartilhados internacionalmente para orientar o desenvolvimento da IA, supervisão independente das tecnologias e de suas aplicações, além de instrumentos de responsabilização, contestação de decisões e reparação por danos.

Ao encerrar o discurso, Leão XIV agradeceu aos participantes pelas contribuições ao debate e incentivou a continuidade da cooperação internacional para o desenvolvimento responsável da inteligência artificial.

Fonte: Olhar Digital.

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