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Professores de Uberlândia relatam desafios para ensinar em meio às mudanças sociais e tecn…
Foto original adaptada visualmente por IA.
Uberlândia

Professores de Uberlândia relatam desafios para ensinar em meio às mudanças sociais e tecn…

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A presença constante dos smartphones e das redes sociais mudou a rotina das salas de aula e tornou ainda mais difícil disputar a atenção dos estudantes. Em Uberlândia, professores de diferentes áreas da educação apontam que ensinar atualmente exige, além do domínio dos conteúdos, escuta, inteligência emocional e capacidade permanente de adaptação.

Na semana em que é celebrado o Dia dos Professores, dois profissionais foram ouvidos sobre os desafios enfrentados em diferentes etapas do ensino. Na rede pública, a escola lida com desigualdades sociais, violência, vulnerabilidade familiar e as demandas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do Ensino Fundamental. No Ensino Superior e na Pós-Graduação, o desafio envolve acompanhar as mudanças do mercado e atualizar os métodos de aprendizagem.

Professora do Ensino Fundamental e da EJA, Luzeni Cruz afirma que os problemas estruturais da sociedade acabam chegando à escola. Segundo ela, a instituição pública também precisa enfrentar o uso excessivo dos celulares e a influência das redes sociais, que oferecem estímulos rápidos e dificultam a concentração dos jovens.

“A escola pública é muito sobrecarregada, porque os problemas da sociedade acabam desaguando nela: as violências, as desigualdades sociais e a vulnerabilidade das famílias. Além disso, disputar a atenção dos jovens com o uso excessivo dos celulares e a influência das redes sociais em um mundo de estímulos tão rápidos não é simples”, afirma.

Apesar dos obstáculos e do desinteresse apresentado por parte dos alunos, Luzeni destaca que ouvir e acolher os estudantes é tão importante quanto transmitir conteúdos. Entre as situações que fortalecem sua motivação está a história de uma ex-aluna que concluiu a Educação Básica, conseguiu uma vaga na faculdade e se tornou a primeira pessoa da família a ingressar no Ensino Superior.

Na EJA, a professora explica que o processo de ensino também precisa considerar as experiências acumuladas pelos adultos. Para ela, os estudantes chegam à sala de aula com conhecimentos construídos no trabalho e na família, o que exige relacionar os conteúdos acadêmicos às trajetórias de vida.

“Na EJA, ensinar também é aprender a olhar para o conhecimento para além dos livros. As pessoas trazem saberes construídos no trabalho e na família. Quando retornam, trazem a coragem de recomeçar”, reflete.

No Ensino Superior e na Pós-Graduação, o professor Leo Veloso observa os desafios a partir da experiência que teve como executivo e gestor de grandes empresas antes de se dedicar ao magistério. Para ele, a sociedade e a forma de consumir informação mudaram mais rapidamente do que os modelos tradicionais de ensino.

“A maior dificuldade do professor hoje é a mudança. A sociedade mudou bastante, a forma de consumo de informação mudou. Mas a profissão do professor ficou um pouco estagnada. Essa transição exige adaptações às novas gerações e aos formatos de aprendizado que a sociedade cobra”, avalia.

Veloso defende o uso de métodos interativos, como a aprendizagem baseada em projetos e outras metodologias ativas, para manter o envolvimento das turmas e atender estudantes que têm amplo acesso a informações pela internet.

“A gente não vive mais no mundo do ‘copia e cola, aprendi isso’. O acesso à informação é amplo. A sala de aula precisa ser um canal ativo para formar uma sociedade mais ética e com senso coletivo”, afirma o professor.

Embora atuem em contextos com estruturas e orçamentos diferentes, os dois profissionais convergem na avaliação de que a docência não pode ser tratada como uma responsabilidade individual do professor ou ficar limitada ao período em que os alunos estão dentro da sala de aula.

Na educação básica, são apontadas como prioridades a melhoria da infraestrutura, a oferta de apoio multiprofissional, a redução do número de alunos por turma e a valorização salarial. Essas medidas são vistas como necessárias para que a escola continue sendo uma porta de saída da vulnerabilidade social.

No Ensino Superior, a avaliação é de que as políticas públicas de formação continuada precisam ser reformuladas desde a graduação. O objetivo seria preparar os educadores para utilizar ferramentas pedagógicas contemporâneas e mediar o desenvolvimento do pensamento crítico.

Para Luzeni, acompanhar um estudante superar dificuldades, reconhecer a própria capacidade ou conquistar uma oportunidade de formação reforça a importância de continuar ensinando. Para Leo, a docência permite influenciar a forma como os alunos compreendem o mundo e participam da sociedade.

Os relatos indicam que as mudanças na educação dependem do enfrentamento das desigualdades, da valorização dos professores, da formação continuada e da criação de práticas de ensino alinhadas às necessidades dos estudantes. Entre os desafios da escola pública e as novas formas de aprender, ensinar continua exigindo adaptação, conhecimento e compreensão das pessoas por trás de cada aluno.

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